BF20 - iAlimentar

R513A A ampla gama de produtos MTA é perfeitamente capaz de satisfazer as exigências do mercado da refrigeração industrial. 226 069 764 www.mta-it.com mtaportugal@trane.com SOLUÇÕES PARA O PROCESSO INDUSTRIAL TAEG Compact Chillers condensados a ar Potência frigorífica: 4 - 16kW Compressores: scroll Refrigerante: R513A Chillers condensados a ar Unidades com ventiladores de alta pressão estática Chillers condensados a água Bombas de calor Módulos free-cooling integráveis Soluções personalizadas | Supervisão e Conectividade 2026/2 20 Preço:11 € | Periodicidade: Trimestral | Abril 2026

PORTUGUÊS: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, ... ESPANHOL: Espanha, México, EUA, Argentina, Colômbia, Chile, Venezuela, Peru, ... ACEDA AO MERCADO LUSO-ESPANHOL DA INDÚSTRIA ALIMENTAR O GRUPO EDITORIAL IBÉRICO DE ÂMBITO INTERNACIONAL INTEREMPRESAS MEDIA - ESPANHA Tel. +34 936 802 027 comercial@interempresas.net www.interempresas.net/info INDUGLOBAL - PORTUGAL Tel. (+351) 215 935 154 geral@interempresas.net www.induglobal.pt

Jarvis España Polígono Industrial Polingesa Calle Farigola 28. 17457 Riudellots de la Selva Girona. España www.jarvisespana.es info@jarvisespana.es T 972 478 766 T (Sebastian Azzollini) +34 675 031 600 O modelo JHS é utilizado em presuntos ibéricos de cura prolongada e até em peixe congelado. O seu motor potente evita que encrave, mesmo nas crostas mais duras. O modelo JHSL é mais leve e é utilizado em produtos frescos e presuntos menos duros. Punho rotativo de 360º ajustável para um manuseamento cómodo. Desenhado, fabricado e testado em Middletown, Connecticut, EUA JHS & JHSL & RHSL Descortezadoras de presunto Gama de descortezadoras manuais pneumáticas Jarvis Potência. Rapidez. Redução de desperdício. Modelos disponíveis em várias profundidades: 1.5, 3.0 e 5.0 mm. O modelo JHS 200, com cabeçal mais estreito, é utilizado para cortes com formas complexas e é ideal para peças onduladas como cecinas (carne de vaca curada e seca ao estilo tradicional espanhol) e pernis, pois o seu tamanho permite uma melhor adaptação aos espaços mais estreitos das peças. O modelo RHSL funciona ao contrário. Foi especialmente concebido para eliminar de forma rápida e eficaz o recorte de tiras, redondos, traseiros, quartos traseiros, lombos, pálpebras e placas da cara das carcaças de porco. LÍDER MUNDIAL EM MÁQUINAS DE PROCESSAMENTO DE CARNE

4 Edição, Redação e Propriedade INDUGLOBAL, UNIPESSOAL, LDA. Defensores de Chaves, 15 3º F 1000-109 Lisboa (Portugal) Telefone +351 215 935 154 E-mail: geral@interempresas.net NIF PT503623768 Gerente Aleix Torné Detentora do capital da empresa Grupo Interempresas Media, S.L. (100%) Diretora Joana Peres Equipa Editorial Joana Peres, Gabriela Costa, Nina Jareño Marketing e Publicidade Frederico Mascarenhas, Nuno Canelas redacao_ialimentar@interempresas.net www.ialimentar.pt Preço de cada exemplar 11 € (IVA incl.) Assinatura anual 44 € (IVA incl.) Registo da Editora 219962 Registo na ERC 127558 Depósito Legal 480593/21 Distribuição total +5.200 envios. Distribuição digital a +4.500 profissionais. Tiragem +700 cópias em papel Edição Número 20 – Abril de 2026 Estatuto Editorial disponível em https://www.ialimentar.pt/EstatutoEditorial.asp Impressão e acabamento Lidergraf Rua do Galhano, n.º 15 4480-089 Vila do Conde, Portugal www.lidergraf.eu Media Partners: Os trabalhos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos editoriais desta revista sem a prévia autorização do editor. A redação da iALIMENTAR adotou as regras do Novo Acordo Ortográfico. SUMÁRIO ATUALIDADE 5 EDITORIAL 5 Entrevista com Luis Chelmicki, Sales Engineer da MTA 10 Frigicoll: O frio que alimenta o futuro 13 Digitalização logística: o controlo em tempo real que está a redefinir o transporte e o armazenamento alimentar 16 Digitalização logística: tecnologia ao serviço da cadeia alimentar 22 Körber estabelece parceria com a Nvidia para impulsionar gémeos digitais na logística 24 Tetra Pak Factory OS distinguido com prémio internacional pela sua aplicação na indústria alimentar 26 Sustentabilidade e rotulagem: a transformação das embalagens na Danone em Portugal 28 Regulamento (UE) 2025/40 e o setor alimentar, quando existe incerteza na regulamentação 30 MOVIPACK a nova geração de máquinas de embalagem: rápida de desenvolver, fácil de integrar 32 O desafio da sustentabilidade na codificação industrial: estará a sua tecnologia de marcação preparada para os novos materiais? 34 Brother: a aliada para um armazém mais eficiente, ágil e preciso 36 Multimac: eficiência, conformidade e diferenciação 38 Volta: nova marca do Sistema de Depósito e Reembolso entra em vigor a 10 de abril 40 A rotulagem e as embalagens dos produtos alimentares: entre a conformidade regulamentar e a comunicação com o consumidor 42 Redysign desenvolve embalagens circulares para carne fresca 44 Solução robusta para bobinas pesadas 47 Entrevista a Ricardo Márquez, diretor da Alimentaria FoodTech 48 SARA HACCP distinguida com o Beta-Start Prize num programa de inovação internacional 54 Meat sounding: rumo a uma nova regulamentação europeia? 56 VIDA: transformar bagaço de azeitona em ingredientes funcionais de alto valor 60 Comissão Europeia lança ferramenta de inteligência artificial para detetar fraude alimentar e surtos na UE 64 Sistema português de esterilização reduz até 72% do consumo energético na fermentação de precisão 65

EDITORIAL Há algo que se repete ao longo desta edição: a sensação de que tudo está a acontecer ao mesmo tempo. A indústria alimentar está a mudar (isso não é novo), mas a velocidade e o contexto em que essa mudança acontece são hoje diferentes. Fala-se de digitalização, de automação, de inteligência artificial. Mas, no terreno, essas palavras traduzem-se em algo mais direto: fazer melhor, com menos margem para falhar. Num armazém ou numa linha de produção, já não há espaço para decisões baseadas apenas na experiência. É preciso saber. Saber onde está o produto, em que condições, com que prazo. E saber isso no momento certo. Ao mesmo tempo, há outra pressão, mais silenciosa, mas constante. A sustentabilidade deixou de ser um objetivo de médio prazo e passou a entrar no dia a dia das decisões. Materiais, processos, desperdício… tudo é questionado. Produzir implica hoje justificar cada escolha, encontrar equilíbrio entre eficiência e responsabilidade. Mas há um terceiro fator que não pode ser ignorado: o contexto geopolítico. A instabilidade nos mercados internacionais, os conflitos, as tensões comerciais e a volatilidade dos preços das matérias-primas e da energia criam um cenário de incerteza permanente. Cadeias de abastecimento mais longas e interdependentes tornam-se também mais frágeis. Aquilo que antes era dado como garantido — disponibilidade, previsibilidade, custo — passou a ser variável. É neste cruzamento de pressões que a indústria alimentar opera. E é também por isso que a complexidade aumenta. A regulamentação evolui, muitas vezes mais depressa do que a capacidade de adaptação das empresas, introduzindo dúvidas num setor onde a margem para erro é mínima. Cada decisão passa a ter mais variáveis, mais impacto, mais risco. Neste cenário, a tecnologia surge como um ponto de apoio. Não resolve tudo, mas ajuda a reduzir a incerteza. Permite antecipar, testar, ajustar. Dá alguma previsibilidade num ambiente que deixou de o ser. Ainda assim, a transformação não é apenas tecnológica. É também uma mudança na forma como as empresas pensam e operam. Exige maior agilidade, maior capacidade de resposta e, sobretudo, maior consciência do contexto em que estão inseridas. A indústria alimentar vive, por isso, um momento exigente, mas também decisivo. Entre a pressão externa — económica, ambiental e geopolítica — e a necessidade interna de evoluir. Esperamos que esta edição contribua com informação útil e perspetivas relevantes para apoiar a tomada de decisão num contexto cada vez mais exigente. Entre a pressão e a transformação: o novo equilíbrio da indústria alimentar Politécnico de Leiria lança livro que valoriza património olivícola e impulsiona o olivoturismo Investigadores do CiTUR – Leiria, centro de investigação sediado na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), em Peniche, do Politécnico de Leiria, coordenaram a obra ‘Monumentos Vivos, Óleo Sagrado: Um Património Biocultural do Mediterrâneo e da Humanidade’, recentemente lançada com o objetivo de valorizar o património olivícola e promover boas práticas para a sua preservação, bem como reforçar o desenvolvimento do olivoturismo. Homenagear o património olivícola e sensibilizar para a adoção de boas práticas que contribuam para a sua preservação e para o desenvolvimento do olivoturismo são os principais objetivos do livro ‘Monumentos Vivos, Óleo Sagrado: Um Património Biocultural do Mediterrâneo e da Humanidade’, coordenado por investigadores do CiTUR – Leiria (Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo), sediado na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), em Peniche, do Instituto Politécnico de Leiria (IPL). A obra foi recentemente lançada e encontra-se já disponível para todos os interessados em conhecer as origens da oliveira, o processo de produção do azeite e os seus benefícios para a saúde humana, bem como o papel do olivoturismo no desenvolvimento dos territórios. O livro conta ainda com uma versão digital de acesso gratuito.

6 MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.IALIMENTAR.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER ATUALIDADE Tarwi reforça aposta no plant-based e renova imagem A marca portuguesa Tarwi anunciou um processo de rebranding que assinala uma nova fase de crescimento e posicionamento no segmento plant-based, combinando uma identidade visual mais intuitiva com a ambição de reforçar a presença em mercados internacionais. Segundo informação da marca, a renovação procura traduzir de forma mais clara os valores nutricionais e funcionais dos seus produtos, ao mesmo tempo que acompanha a crescente procura por alternativas alimentares conscientes. A Tarwi apresentou uma nova identidade visual e estratégica, num rebranding que marca a evolução da marca para além do tremoço, passando a abranger o setor plant-based como um todo. De acordo com a empresa, esta mudança responde à crescente procura por soluções nutricionais, funcionais e sustentáveis. No âmbito desta renovação, as embalagens foram redesenhadas com uma abordagem mais clean e versátil, com o objetivo de facilitar a decisão de compra no ponto de venda. A marca pretende, assim, tornar mais claros os benefícios e atributos de cada produto, reforçando o potencial nutricional das chamadas superplantas, mantendo o compromisso com receitas simples e ingredientes naturais. “Com este rebranding, a nossa mensagem ficou mais clara. Assim, além de trabalhar o tremoço, a missão da Tarwi passa a focar-se em aproveitar ingredientes plant-based extremamente ricos em nutrientes e transformá-los em alimentos que oferecem tudo o que é necessário, sem excessos. Simples, nutritivos e, acima de tudo, saborosos”, afirma Catarina Gorgulho, CEO da marca. Academia do Centro de Frutologia Compal abre candidaturas para 2026 A Academia do Centro de Frutologia Compal já abriu candidaturas para a edição de 2026. A iniciativa vai apoiar três empreendedores frutícolas em Portugal com bolsas no valor total de 60.000€, reforçando a capacitação técnica, a inovação e a competitividade do setor agrícola nacional. A Academia do Centro de Frutologia Compal, que entra na sua 13.ª edição, destina-se a produtores que pretendam instalar, expandir ou reconverter as suas explorações agrícolas. As candidaturas decorrem até 1 de junho de 2026 e podem ser submetidas através do formulário online disponível no site Compal. O programa é dirigido a projetos focados na produção de 25 variedades de fruta: Alperce, Ameixa, Ameixa RainhaCláudia, Amora, Cereja, Clementina, Diospiro, Groselha, Kiwi, Laranja, Limão, Figo, Figo da Índia, Framboesa, Maçã, Marmelo, Melancia, Melão, Meloa, Mirtilo, Morango, Pêssego, Pera Rocha, Romã e/ou Tomate. Entre todos os candidatos, serão selecionados 12 empreendedores para integrar um programa intensivo com mais de 70 horas de formação especializada. O plano formativo abrange áreas-chave como fruticultura, gestão agrícola, marketing, sustentabilidade e inteligência artificial aplicada à agricultura. No final do programa, os três melhores projetos recebem uma bolsa de 20.000€ cada, num total de 60.000€, destinada a apoiar o desenvolvimento e consolidação dos respetivos negócios.

7 ATUALIDADE FIPA pede medidas urgentes para aliviar custos de produção A Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA) alertou para a pressão crescente sobre os custos de produção no setor agroalimentar, num contexto de abrandamento económico e instabilidade internacional, defendendo a adoção urgente de medidas que reforcem a competitividade das empresas. A FIPA manifestou preocupação com o atual contexto de abrandamento económico, agravado pela instabilidade nos mercados internacionais, alertando para a necessidade de medidas urgentes que mitiguem a crescente pressão sobre os custos de produção no setor. Em declarações à SIC Notícias, o presidente da FIPA, Jorge Tomás Henriques, sublinhou a importância de uma resposta célere por parte das autoridades, defendendo que a mitigação dos encargos suportados pelas empresas deve assumir caráter prioritário. “É imperativo agir rapidamente”, afirmou. Segundo a federação, o setor agroalimentar está entre os mais afetados pela volatilidade dos preços da energia, em particular do gás natural, considerado um recurso estratégico para a indústria. As oscilações registadas comprometem a previsibilidade das operações e condicionam o planeamento das empresas, a que se somam os elevados custos dos combustíveis, com impacto direto na cadeia logística e reflexos no consumidor final. A FIPA alerta ainda para o agravamento do diferencial competitivo face a outros mercados, nomeadamente o espanhol. A maior capacidade instalada da indústria em Espanha tem vindo a potenciar a captação de matéria-prima nacional para transformação e posterior reexportação, intensificando a pressão concorrencial sobre as empresas portuguesas. Neste contexto, a federação identifica três prioridades de intervenção: a redução da taxa de IVA aplicável aos produtos alimentares, atualmente fixada nos 23%, bem como o alívio da carga fiscal sobre os consumos energéticos; a agilização dos processos de decisão, assegurando a efetiva chegada dos apoios às empresas; e a implementação de uma estratégia consistente de valorização da indústria transformadora, que vá além do enquadramento europeu. A FIPA reafirma, por fim, o seu compromisso na defesa de um setor que considera um pilar da economia nacional, apelando à adoção de políticas públicas alinhadas com o reforço da resiliência e competitividade empresarial.

8 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.IALIMENTAR.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER Comissão Europeia clarifica aplicação do regulamento sobre embalagens Congresso Mundial do Azeite em Lisboa O Olive Oil World Congress (OOWC) 2026, que decorre a 2 e 3 de julho no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, encerra a 31 de março o período de inscrições com condições preferenciais, marcando a fase final de adesão ao evento. Até ao final do dia de amanhã, profissionais, empresas e instituições do setor olivícola podem ainda garantir participação com preço reduzido. A partir de 1 de abril, entram em vigor novas condições, com aumento dos valores de inscrição para aquele que se afirma como um dos principais encontros internacionais dedicados ao azeite. A segunda edição do congresso reunirá especialistas de diferentes geografias para debater os desafios e oportunidades da fileira, com um programa dirigido a perfis profissionais, científicos e corporativos. As inscrições podem ser realizadas em www.oliveoilworldcongress.com/inscription A Comissão Europeia lançou novas orientações para apoiar a aplicação do Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagem (PPWR). O objetivo é ajudar empresas e Estados-membros a cumprir as regras de forma uniforme, promovendo embalagens mais recicláveis, a redução de resíduos e um setor mais sustentável na União Europeia. A Comissão Europeia divulgou esta segunda-feira, 30 de março, orientações para a implementação do Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagem (PPWR), em vigor desde fevereiro de 2025, com o objetivo de reduzir resíduos, harmonizar regras e tornar o setor de embalagens mais sustentável em toda a União Europeia. O regulamento define regras obrigatórias para embalagens, incluindo a obrigação de, até 2030, todas serem recicláveis, a utilização mínima de materiais reciclados em plásticos e a redução do uso excessivo de embalagens. As orientações publicadas explicam, de forma detalhada, quem é considerado fabricante ou produtor de embalagens e quais os produtos abrangidos pelo regulamento. Clarificam também a aplicação de metas de reutilização, a responsabilidade alargada do produtor e a obrigatoriedade de sistemas de depósito e retorno. O documento esclarece também as restrições a embalagens de uso único e o controlo de substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS), compostos químicos persistentes em embalagens de contacto com alimentos. Para apoiar as empresas, a Comissão disponibilizou um conjunto de perguntas frequentes (FAQs) que abordam questões práticas do setor e serão atualizadas sempre que necessário.

9 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.IALIMENTAR.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER 10 inovações curiosas que irão marcar o futuro do setor alimentar A mais recente edição da Alimentaria, realizada no recinto Gran Via da Fira de Barcelona, confirmou o dinamismo do setor com a apresentação de mais de 300 inovações orientadas para responder às novas exigências em saúde, sustentabilidade e experiência gastronómica. O espaço 'Innoval', integrado no 'The Alimentaria Hub', concentrou algumas das propostas mais disruptivas, refletindo uma indústria que aposta na reformulação de produtos tradicionais, no desenvolvimento de novos formatos e na aplicação de soluções tecnológicas à alimentação. • Sobrasada (enchido tradicional de origem espanhola) e fuet do mar: A Fishology transforma pescado de qualidade e cortes menos valorizados em enchidos como chouriço, fuet, butifarra, fiambre, sobrasada ou lardo do mar, com base num modelo de economia circular. • Fuet de ouro: A empresa de enchidos Font-Sans assinala o seu centenário com o primeiro enchido revestido a ouro comestível de 24 quilates. • Brócolo 4.0: Este produto funcional integra um processo próprio de desidratação que estabiliza o sulforafano e multiplica até cinquenta vezes a sua concentração face ao brócolo maduro. A sua versatilidade posiciona-o como ingrediente com elevado potencial antioxidante para nutrição avançada. • Caviar de caracol: A Caracoles de Gredos apresenta caviar produzido a partir de caracol. • Chips de ovo: A Ouegg introduz chips de ovo elaborados exclusivamente com clara, recorrendo a tecnologia de desidratação que preserva os nutrientes e resulta num snack com elevado teor proteico. • Lingote de mar: Criação do chef murciano Tomás Écija, esta proposta reinterpreta a ova de peixe, combinando ova de mújol envolvida em alga nori e confitada em azeite, com um creme de ova com 98% de pureza. • Ovos mexidos instantâneos: A Álvarez Camacho apresenta o “Egg ¡Boom!”, um preparado pronto em 90 segundos no micro-ondas, sem conservantes nem glúten e com elevado teor proteico, disponível em seis variedades. • Torresmos com chili: A Cárnicas Muñoz lança torresmos com sabor a lima e chili, entre outras propostas. • Mel com trufa, chili ou chá matcha: A Alemany 1879 combina mel da Península Ibérica com ingredientes de alta gastronomia como trufa, açafrão, chili ou chá matcha. • Snacks de bagaço cervejeiro: Os Bagazitos valorizam o bagaço de cerveja como ingrediente com elevado teor de fibra e proteína, constituindo um exemplo de economia circular aplicada ao setor alimentar. • Batatas fritas com abacate: A Torres apresenta batatas fritas produzidas com óleo de abacate, cuja fritura a baixa temperatura assegura textura crocante diferenciadora. • Chocolate adoçado com tâmara: A Chocolates Torras, em parceria com a Realfooding, lança um chocolate adoçado exclusivamente com tâmara, eliminando açúcares refinados e edulcorantes, e incorporando fibra prebiótica. Durante o salão foram atribuídos os Prémios Innoval 2026, que distinguiram algumas destas propostas, reconhecendo o investimento da indústria alimentar em inovação e desenvolvimento.

ENTREVISTA 10 LUIS CHELMICKI, SALES ENGINEER DA MTA “A eficiência energética está no centro do desenvolvimento das soluções MTA” A eficiência energética, a estabilidade térmica e a digitalização estão a redefinir o papel dos sistemas de arrefecimento industrial na indústria alimentar. Em entrevista, Luís Chelmicki, da MTA, destaca as soluções tecnológicas desenvolvidas pela empresa para responder às exigências de sustentabilidade, desempenho operacional e cumprimento regulamentar no setor. Joana Peres

ENTREVISTA 11 Quais são as principais vantagens das soluções de arrefecimento da MTA para processos industriais na indústria alimentar? As soluções da MTA, são especialmente produzidas para os requisitos da industria e por isso destacam-se pela sua fiabilidade, eficiência energética e elevada precisão no controlo térmico, fatores críticos na indústria alimentar. A marca oferece equipamentos concebidos especificamente para ambientes exigentes, garantindo qualidade constante do produto final, cumprimento rigoroso das normas sanitárias e otimização dos custos operacionais. Além disso, a MTA aposta numa abordagem modular e personalizada, permitindo adaptar cada solução às necessidades específicas de cada cliente e processo produtivo. De que forma as unidades da MTA garantem estabilidade térmica em aplicações críticas da produção alimentar? A estabilidade térmica é assegurada através de tecnologia avançada de controlo e regulação, com sistemas capazes de responder rapidamente a variações de carga térmica. Como por exemplo a tecnologia do evaporador In Tanque, patente própia. As unidades MTA integram componentes de alta precisão e sistemas de monitorização contínua que permitem manter temperaturas estáveis, mesmo em processos altamente sensíveis, como fermentação, conservação ou arrefecimento rápido. Isso traduz-se em maior consistência produtiva, redução de desperdício e segurança alimentar reforçada. Que inovações tecnológicas recentes foram introduzidas pela MTA nas suas soluções de frio industrial? A MTA tem vindo a investir fortemente em tecnologias de elevada eficiência e baixo impacto ambiental, nomeadamente a utilização de refrigerantes ecológicos com menor potencial de aquecimento global; sistemas com controlo inteligente e conectividade remota (Indústria 4.0); e equipamentos com compressão otimizada e variadores de velocidade, ajustando o consumo às necessidades reais. Estas inovações permitem às empresas beneficiar de soluções mais sustentáveis, eficientes e preparadas para os desafios futuros. De que modo as soluções da MTA contribuem para a redução do consumo energético nas empresas da indústria alimentar? A eficiência energética está no centro do desenvolvimento das soluções MTA. Os equipamentos são projetados para operar com máxima performance e mínimo consumo, graças a tecnologias como 'free-cooling', controlo por inversor e gestão inteligente da carga térmica. Na prática, isto permite às empresas alcançar reduções significativas na fatura energética, melhorar a sua pegada ambiental e aumentar a competitividade no mercado. Quais são atualmente as aplicações mais frequentes das unidades da MTA na indústria alimentar, nomeadamente nos setores dos laticínios, bebidas, panificação ou transformação de carne e pescado? As soluções MTA são amplamente utilizadas em diversos segmentos da indústria alimentar, com destaque para: • Laticínios: arrefecimento de leite e controlo de processos de produção; • Bebidas: controlo térmico em processos de fermentação e enchimento; • Panificação: controlo de temperatura em fermentação e conservação de massas; • Carne e pescado: arrefecimento rápido, conservação e processamento. A versatilidade dos equipamentos permite responder a diferentes etapas do processo produtivo, garantindo sempre eficiência e segurança. Que características técnicas das unidades MTA contribuem para aumentar a durabilidade dos equipamentos e reduzir paragens inesperadas nas linhas de produção? As unidades MTA são concebidas com componentes de elevada qualidade e robustez, preparados para funcionamento contínuo em ambientes industriais exigentes. Destacam-se características como: • Sistemas de proteção e diagnóstico avançado; • Monitorização contínua e manutenção preditiva; • Design otimizado para fácil acesso e manutenção. Tudo isto contribui para reduzir paragens não planeadas, aumentar a vida útil dos equipamentos e assegurar a continuidade da produção. “A indústria alimentar está cada vez mais orientada para a sustentabilidade e eficiência, e o arrefecimento industrial terá um papel central nessa transformação”

ENTREVISTA 12 Como asseguram o suporte técnico e a continuidade operacional em fábricas alimentares com processos produtivos contínuos? A MTA com a equipa de técnicos própios in house, que neste momento são mais de duas dezenas, não dependemos de empresasa externas, o que nos dá uma vantagem enorme sobre os nosso competidores, assegura um serviço técnico especializado e de resposta rápida, fundamental para indústrias que operam 24/7. São disponibilizados serviços de assistência, manutenção preventiva e suporte remoto, garantindo que qualquer intervenção é realizada com a máxima rapidez e eficácia, minimizando impactos na produção. Quais são os principais desafios que identifica atualmente junto das empresas da indústria alimentar? Atualmente, os principais desafios passam por: redução de custos energéticos; cumprimento de exigências ambientais e regulamentares cada vez mais rigorosas; necessidade de modernização e digitalização dos processos e garantia de continuidade operacional. A MTA posiciona-se como um parceiro estratégico, ajudando as empresas a responder a estes desafios com soluções eficientes e sustentáveis. Tendo em conta a evolução do setor alimentar em Portugal, que tendências tecnológicas ou operacionais deverão influenciar a procura por soluções de arrefecimento industrial nos próximos anos? Nos próximos anos, espera-se um aumento da procura por soluções que integrem: alta eficiência energética; utilização de refrigerantes naturais e ecológicos; integração com sistemas digitais e monitorização remota; flexibilidade e escalabilidade das soluções. A indústria alimentar está cada vez mais orientada para a sustentabilidade e eficiência, e o arrefecimento industrial terá um papel central nessa transformação. De que forma as exigências regulatórias e os objetivos de eficiência energética e descarbonização estão a influenciar as decisões de investimento das empresas alimentares portuguesas em sistemas de refrigeração industrial? As exigências regulatórias e os objetivos de descarbonização estão a acelerar a transição para tecnologias mais eficientes e sustentáveis. As empresas procuram soluções que não só cumpram a legislação atual, mas que também estejam preparadas para o futuro, reduzindo emissões e consumo energético. Neste contexto, investir em equipamentos MTA representa uma decisão estratégica, permitindo às empresas reduzir custos, melhorar a eficiência e reforçar o seu compromisso ambiental, fatores cada vez mais valorizados pelo mercado. n Mais informações em https://www.mta-it.com/eng/ “As unidades MTA integram componentes de alta precisão e sistemas de monitorização contínua que permitem manter temperaturas estáveis, mesmo em processos altamente sensíveis, como fermentação, conservação ou arrefecimento rápido”

13 CADEIA DE FRIO E RASTREABILIDADE Frigicoll: O frio que alimenta o futuro A cadeia de frio alimentar está a mudar de forma discreta, mas com impacto direto no dia a dia dos consumidores e dos operadores logísticos. À medida que aumentam as exigências ambientais e cresce a distribuição porta a porta, empresas como a Frigicoll estão a adaptar-se com soluções que combinam eletrificação, eficiência energética e controlo digital. Joana Peres Uma das mudanças mais visíveis, ainda que quase impercetível, está na eletrificação dos equipamentos de refrigeração para transporte. Em parceria com a Thermo King, a Frigicoll tem vindo a introduzir soluções desenhadas para a realidade LastMile E500e Roof Transparent. urbana, onde o ruído e as emissões são cada vez mais condicionados. “Uma das principais evoluções no nosso portefólio tem sido a aposta na eletrificação da cadeia de frio”, refere a Silvino Vieira, responsável comercial da Frigicoll. É neste contexto que surge a gama E-Lite, pensada para veículos comerciais ligeiros utilizados no chamado último quilómetro. Compactos e silenciosos, estes equipamentos permitem realizar entregas em zonas residenciais ou com restrições ambientais, sem com-

14 CADEIA DE FRIO E RASTREABILIDADE prometer o controlo da temperatura. “Ao eliminarem motores auxiliares e utilizarem diretamente a energia do veículo elétrico, estas unidades permitem reduzir emissões, ruído e consumo energético. Tecnologias como compressores de velocidade variável e sistemas de controlo inteligente permitem adaptar continuamente o desempenho da unidade às necessidades reais de refrigeração, otimizando a eficiência energética”. Para operações de maior dimensão, a resposta passa pela gama E-Series, com soluções que permitem transportar diferentes tipos de produtos em simultâneo, mantendo exigências térmicas distintas ao longo do percurso. “A gama E-Series, composta pelas unidades E-400, E-500 e E-600, concebidas para veículos comerciais e pequenos camiões de distribuição. Estas soluções permitem expandir a eletrificação da refrigeração para operações mais exigentes, oferecendo elevada capacidade frigorífica e opções multi-temperatura”. MAIS ENTREGAS, MAIS PRESSÃO SOBRE O FRIO O crescimento das entregas ao domicílio trouxe conveniência para o consumidor, mas aumentou a complexidade das operações logísticas. A cadeia de frio passou a ser testada em condições mais exigentes: mais paragens, mais aberturas de portas, menos margem para falhas. “Esta evolução foi também fortemente acelerada pela pandemia que abalou o mundo e que, de forma quase imediata, alterou comportamentos e expectativas dos consumidores”, explica Bruno Andrade, delegado comercial da Frigicoll. Neste novo contexto, manter a temperatura deixou de ser apenas uma questão técnica. É um fator crítico para garantir qualidade e evitar desperdício. Este modelo logístico implica rotas com múltiplas paragens, abertura frequente de portas e tempos de entrega muito curtos. “Para responder a estas exigências, os equipamentos frigoríficos têm de garantir uma recuperação rápida da temperatura após cada abertura de porta e manter um

15 CADEIA DE FRIO E RASTREABILIDADE controlo térmico preciso mesmo em ciclos intensivos de distribuição”. DADOS EM TEMPO REAL AUMENTAM CONFIANÇA Se a eletrificação é a resposta ao desafio ambiental, a digitalização é a resposta ao desafio da confiança. Num setor onde a rastreabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito, saber exatamente a que temperatura esteve um produto durante o transporte (e conseguir prová-lo) é o que separa os operadores sérios dos que ficam para trás. “Hoje é possível acompanhar em tempo real o desempenho das unidades frigoríficas e as condições de transporte da mercadoria”, explica Silvino Vieira. A monitorização contínua permite antecipar problemas e agir antes que estes tenham impacto no produto. Ao mesmo tempo, cria um registo detalhado de todo o percurso. “As soluções de conectividade da Thermo King permitem monitorizar remotamente parâmetros críticos como temperatura, localização do veículo, estado da unidade e eventuais alarmes”. Esta visibilidade permanente permite uma gestão mais proativa das operações, reduzindo riscos e assegurando a conformidade com os requisitos de segurança alimentar. EFICIÊNCIA DEIXA DE SER OPÇÃO Num setor cada vez mais pressionado por custos energéticos e metas ambientais, a eficiência deixou de ser um argumento e passou a ser uma necessidade. “As soluções de refrigeração totalmente elétricas estão a assumir um papel cada vez mais relevante”, sublinha Bruno Andrade. A utilização de tecnologias que ajustam automaticamente o desempenho às necessidades reais permite evitar desMais informações em https://www.frigicoll.es/pt/ perdícios — de energia e de recursos — mantendo a estabilidade térmica exigida. Olhando para os próximos anos, a tendência parece clara: mais eletrificação, mais dados, mais exigência. “As frotas tenderão a integrar cada vez mais veículos elétricos e soluções de refrigeração adaptadas a este tipo de mobilidade. Ao mesmo tempo, a conectividade e a análise de dados terão um papel crescente na gestão das operações logísticas”, antecipa a Frigicoll. A prioridade da Frigicoll será continuar a disponibilizar soluções tecnológicas que ajudem os operadores a tornar as suas operações mais eficientes, sustentáveis e preparadas para os desafios futuros da distribuição alimentar. Reconhece também que a qualidade do serviço depende de profissionais capacitados. Por isso, mantém um programa contínuo de formação para toda a sua equipa técnica, garantindo que cada técnico está atualizado sobre as últimas novidades, nomeadamente a eletrificação. Esta formação estende-se também à restante rede de serviços, permitindo que também os parceiros autorizados acompanhem o ritmo da inovação. Para além da eficiência operacional, esta aposta na formação contínua reforça a vertente de segurança, assegurando que todos os procedimentos, desde a instalação até à manutenção preventiva e corretiva, seguem os mais rigorosos padrões. Num setor onde a margem para erro é cada vez menor, a capacidade de garantir controlo, consistência e transparência ao longo de toda a cadeia de frio será determinante. A transformação já está em curso e, tal como os novos equipamentos, faz-se quase sem ruído. n

16 DIGITALIZAÇÃO LOGÍSTICA Digitalização logística: o controlo em tempo real que está a redefinir o transporte e o armazenamento alimentar Num armazém alimentar, onde milhares de referências coexistem e os prazos de validade são uma variável crítica, a diferença entre eficiência e desperdício pode estar num detalhe: saber, em tempo real, onde está cada produto, em que condições se encontra e quanto tempo resta até à sua expedição. Durante décadas, essa gestão fez-se com base em registos manuais, experiência operacional e alguma margem de erro. Hoje, o cenário está a mudar rapidamente. Marta Clemente A logística na indústria alimentar está a atravessar uma transformação profunda. A digitalização deixou de ser um investimento opcional e passou a responder a cadeias de abastecimento mais exigentes, sofisticadas e interligadas, como sublinha a Associação Portuguesa de Logística (APLOG). A crescente complexidade das cadeias alimentares, marcada pela multiplicidade de intervenientes e pela dispersão geográfica das operações, tem vindo a colocar desafios adicionais às empresas. De acordo com a associação, a produção, o armazenamento, o transporte e a distribuição deixaram de ser etapas isoladas para passar a integrar um sistema altamente interdependente, onde qualquer falha pode ter impacto imediato na qualidade do produto e nos custos operacionais. Redes de abastecimento mais longas, consumidores mais atentos e uma pressão constante sobre custos e desperdício obrigam as empresas a repensar a forma como armazenam, transportam e monitorizam os alimentos. A APLOG destaca que esta necessidade de controlo e acesso granular à informação operacional é hoje central para garantir eficiência e competitividade. Esta evolução é também evidenciada pela investigação. Segundo um relatório da EU CAP Network (2025), que aponta as plataformas digitais, a blockchain e os sistemas logísticos colaborativos como ferramentas essenciais para melhorar a eficiência e a coordenação nas cadeias de abastecimento alimentares europeias.

17 DIGITALIZAÇÃO LOGÍSTICA Como explica Afonso Almeida, da APLOG, gerir grandes volumes de referências sem apoio digital deixou de ser viável: fazer a gestão “de stocks de centenas ou milhares de referências deverá ser com um WMS”, frequentemente associado a tecnologias como leitura de códigos de barras, pick-to-light ou voice-picking. Estas soluções ajudam a reduzir erros na preparação de encomendas, reforçam o controlo de localizações e aumentam a produtividade. Mas, como sublinha a associação, o verdadeiro ganho surge quando estes sistemas deixam de funcionar isoladamente e passam a estar integrados com outras plataformas, garantindo uma visão contínua da operação logística e eliminando silos de informação. No transporte, essa evolução traduz-se numa maior capacidade de planeamento e adaptação. Os sistemas de gestão de transporte evoluíram para além da simples organização de rotas e incorporam hoje dados atualizados de forma contínua, analisando variáveis externas e ajustando decisões à medida que a operação decorre. A inteligência artificial começa também a assumir um papel cada vez mais relevante. De acordo com a APLOG, a sua aplicação na logística permite antecipar necessidades, melhorar o planeamento e identificar potenciais falhas, incluindo em sistemas críticos como os de refrigeração. A IA está também a ganhar peso na previsão da procura e na otimização de rotas, contribuindo para reduzir consumos de combustível, tempos de entrega e Afonso Almeida, presidente da APLOG – Associação Portuguesa de Logística. TECNOLOGIAS DIGITAIS AO SERVIÇO DA OPERAÇÃO É neste contexto que ferramentas como os sistemas de gestão de armazém (WMS) e os sistemas de gestão de transporte (TMS) conquistaram um papel central, sendo hoje considerados pilares da logística moderna. “A digitalização melhora o controlo das operações, reforça a rastreabilidade e reduz o risco de perdas associadas à cadeia de frio, ao mesmo tempo que liberta as equipas de tarefas administrativas e aumenta a eficiência global”, TechGuild

18 DIGITALIZAÇÃO LOGÍSTICA custos operacionais, enquanto melhora a taxa de utilização dos veículos. A automação e a robotização ganham igualmente terreno, sobretudo em operações de maior escala. Como explica o presidente da APLOG, esta evolução responde à escassez de mão de obra qualificada e à pressão sobre os custos laborais, sendo “um caminho inevitável” para empresas com maiores volumes de operação. A Internet das Coisas (IoT) acrescenta uma camada crítica de monitorização contínua às operações logísticas. Sensores instalados em câmaras frigoríficas, armazéns e veículos permitem acompanhar variáveis como temperatura e humidade, assegurando um controlo mais rigoroso das condições de conservação. “A visibilidade da localização da carga e das condições de temperatura são vitais para a segurança alimentar e para o controlo da operação”, sublinha Afonso Almeida, destacando o papel crescente de sensores, etiquetas inteligentes e sistemas de rastreio na transparência da cadeia logística. Quando ocorre um desvio, a resposta pode ser imediata, reduzindo riscos operacionais e evitando perdas que, de outro modo, só seriam identificadas demasiado tarde. ARMAZENAMENTO ALIMENTAR: PRECISÃO, RASTREABILIDADE E ANTECIPAÇÃO No contexto do armazenamento alimentar, a digitalização tem vindo a tornar a gestão de stocks mais eficiente, precisa e menos dependente de estimativas. Ferramentas como o FLOW M, desenvolvida pela Flowtech, exemplifica esta evolução ao assegurar o controlo imediato e permanente de toda a operação logística, desde a receção de matérias-primas até à expedição do produto final. A plataforma integra funcionalidades como gestão de inventários, controlo de localizações, gestão de expedições e planeamento da produção. De acordo com João Nogueira, business development manager na Flowtech, estas ferramentas traduzem-se, na prática, em “menos ruturas, menos excesso de stock, menos desperdício e maior capacidade de resposta operacional”.

19 DIGITALIZAÇÃO LOGÍSTICA A empresa destaca ainda que estas soluções asseguram uma gestão mais dinâmica dos armazéns, com acompanhamento constante de stocks e fluxos logísticos, apoiando decisões mais rápidas e fundamentadas. Assim, neste caso em concreto, a digitalização reduz o número de tarefas manuais, diminui erros de registo e melhora a articulação entre produção, armazém e expedição. No terreno, isso traduz-se em operações mais fluidas e menos dependentes de correções posteriores. A rastreabilidade é mais uma área onde a transformação é evidente. Segundo a Flowtech, a possibilidade de associar cada lote a um conjunto completo de dados – desde a origem às condições de armazenamento ou ao percurso logístico – permite criar um histórico detalhado, completo e acessível de forma imediata. Ou seja, saber de onde vem um produto e por onde passou deixou de ser uma consulta demorada para passar a ser uma resposta quase instantânea. Na prática, esta rastreabilidade resulta da digitalização dos próprios processos operacionais. “O sistema regista de forma sequencial todas as etapas do processo produtivo, permitindo saber quem fez o quê e quando”, explica João Nogueira, sublinhando que esta abordagem reforça o controlo e a auditabilidade. A integração com tecnologias como códigos GS1 (padrão global de identificação), DataMatrix (código 2D para rastreabilidade) ou RFID (identificação por radiofrequência) permite automatizar a identificação de produtos e reduzir a intervenção manual, aumentando a fiabilidade da informação. Este nível de detalhe é particularmente relevante num setor onde a segurança alimentar está em causa, facilitando a identificação rápida de lotes afetados e a atuação de forma direcionada. CADEIA DE FRIO E SEGURANÇA ALIMENTAR DIGITAL A monitorização da cadeia de frio assume particular relevância neste contexto. A integração de sensores com sistemas de gestão viabiliza a associação de dados de temperatura a lotes específicos, garantindo um acompanhamento contínuo das condições de conservação. Esta capacidade permite não só detetar desvios, mas também gerar alertas automáticos sempre que são ultrapassados limites críticos, permitindo uma intervenção imediata e reduzindo significativamente o risco de perdas de produto. Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Frontiers in Blockchain analisou a utilização de tecnologias digitais na cadeia alimentar europeia e concluiu que ferramentas como blockchain, RFID e sensores IoT estão a reforçar a traçabilidade e a transparência ao longo da cadeia de abastecimento. Estes sistemas acompanham produtos em tempo real, facilitam a gestão de incidentes e melhoram os processos de recolha em caso de contaminação ou fraude alimentar. A digitalização dos sistemas de Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos (HACCP) insere-se nesta lógica de reforço do controlo, integração e rastreabilidade. Em Portugal, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) tem vindo a promover a digitalização dos processos de segurança alimentar no canal HORECA, nomeadamente através do desenvolvimento do HACCP Digital AHRESP, criado em parceria com a TechGuild. A solução permite digitalizar registos essenciais do sistema HACCP – como

20 DIGITALIZAÇÃO LOGÍSTICA controlo de temperaturas, receção de matérias-primas, verificação de processos e planos de higienização – criando um histórico estruturado que facilita o acompanhamento das condições de conservação e o cumprimento dos requisitos legais. A plataforma MyTask, da TechGuild, integra módulos como HACCP, sensores, etiquetas, auditorias e gestão documental num único sistema. Esta centralização permite substituir registos em papel, automatizar processos e assegurar a monitorização contínua de parâmetros críticos, como a temperatura, com alertas automáticos em caso de desvio. De acordo com a empresa, a digitalização melhora o controlo das operações, reforça a rastreabilidade e reduz o risco de perdas associadas à cadeia de frio, ao mesmo tempo que liberta as equipas de tarefas administrativas e aumenta a eficiência global. TRANSPORTE: EFICIÊNCIA, INTEGRAÇÃO E SUSTENTABILIDADE No transporte, a digitalização tem vindo a transformar a forma como as operações são planeadas e monitorizadas. O planeamento inteligente de rotas, suportado por dados e algoritmos, permite reduzir tempos de entrega e custos associados ao consumo de combustível. A monitorização em permanência de cargas e veículos aumenta a capacidade de acompanhamento da operação logística e facilita a tomada de decisão. A APLOG realça que esta capacidade torna possível reagir a imprevistos, ajustando rotas e minimizando impactos. A integração entre produtores, distribuidores e retalho é outro dos benefícios desta transformação. A partilha de informação em tempo real favorece uma melhor coordenação entre diferentes etapas da cadeia de abastecimento. Esta integração permite alinhar produção, armazenamento e distribuição com maior precisão, reduzindo ineficiências e melhorando o nível de serviço ao cliente. Tal conectividade é particularmente relevante num setor onde a rapidez e a fiabilidade das entregas são fatores críticos. BENEFÍCIOS E DESAFIOS DA DIGITALIZAÇÃO Os impactos da digitalização são evidentes ao nível da eficiência operacional e da redução de custos, reforça a APLOG. A melhoria da rastreabilidade é outro dos ganhos mais relevantes, assegurando o acompanhamento de cada lote ao longo da cadeia e uma resposta rápida a incidentes. A digitalização reforça igualmente a capacidade de resposta à procura. Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP. A análise de dados e a utilização de modelos preditivos facilitam o ajuste da produção e da distribuição, reduzindo ruturas de stock. Mas se, por um lado, é fácil identificar as vantagens, por outro também não faltam desafios. Desde logo, o investimento necessário, sobretudo para pequenas e médias empresas. Isto porque, como lembra Afonso Almeida, estas organizações têm, em geral, menor capacidade para realizar investimentos de grande dimensão. A integração com sistemas existentes é outro entrave relevante. Muitas empresas operam com infraestruturas tecnológicas heterogéneas, o que dificulta a implementação de soluções digitais de forma integrada. Em muitos casos, os sistemas existentes exigem adaptações ou desenvolvimentos adicionais para garantir compatibilidade, aumentando a complexidade dos projetos. A formação de recursos humanos é igualmente determinante. “Uma formação inadequada pode comprometer o retorno do investimento”, adverte o líder da APLOG. No caso da Flowtech, a formação é orientada para a prática e para os processos reais da operação, facilitando a adoção das soluções pelas equipas: “A aceitação por parte das equipas é facilitada pela simplificação das tarefas e pela redução de erros no dia a dia”, refere João Nogueira. n C M Y CM MY CY CMY K

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22 DIGITALIZAÇÃO LOGÍSTICA Digitalização logística: tecnologia ao serviço da cadeia alimentar A tecnologia de rastreamento e gestão de frotas está a transformar a logística alimentar, oferecendo maior visibilidade operacional e maior controlo ao longo da cadeia de abastecimento. Rita Correia, Marketing Manager da Cartrack Portugal A eficiência da logística é hoje um fator determinante para o desempenho do setor alimentar. Entre a produção, o armazenamento e a distribuição, cada etapa da cadeia exige controlo rigoroso, cumprimento de prazos e garantia de condições adequadas de transporte. Neste contexto, a digitalização das operações logísticas assume um papel cada vez mais estratégico para empresas da indústria alimentar, da distribuição, do retalho e do canal horeca. A evolução das plataformas tecnológicas de gestão de frotas tem permitido às empresas melhorar a visibilidade sobre as suas operações. Através de sistemas de rastreamento de viaturas e cargas, é possível monitorizar em tempo real a localização, os percursos e a atividade dos veículos, disponibilizando informação permanente aos gestores logísticos. Estas soluções permitem acompanhar toda a operação a partir de Plataforma digital de gestão de frotas permite monitorizar em tempo real a localização, rotas e condições de transporte, reforçando o controlo e a eficiência na logística da cadeia alimentar.

23 DIGITALIZAÇÃO LOGÍSTICA qualquer dispositivo com ligação à internet – desde o computador, tablet ou smartphone — oferecendo uma visão integrada da frota e facilitando a tomada de decisão. Plataformas digitais como as disponibilizadas pela Cartrack permitem monitorizar viaturas em tempo real, otimizar rotas e aceder a relatórios operacionais detalhados, contribuindo para uma gestão mais eficiente da frota (mais informação em https://www.cartrack.pt/ gestao-de-frotas/). “A visibilidade em tempo real das operações logísticas tornou-se um fator crítico para garantir eficiência, segurança e controlo na cadeia de abastecimento alimentar”, afirma Rita Correia, marketing manager da Cartrack Portugal. TECNOLOGIA E CONTROLO AO LONGO DA CADEIA DE TRANSPORTE No setor alimentar, onde o cumprimento da cadeia de frio e das normas de segurança é fundamental, a tecnologia desempenha um papel importante no controlo das condições de transporte. A integração de sensores e sistemas de monitorização permite acompanhar parâmetros críticos, como a temperatura da carga, garantindo maior controlo sobre a integridade dos produtos, sobretudo no transporte de produtos frescos, refrigerados ou congelados. Para operadores logísticos, distribuidores e empresas de retalho alimentar, esta capacidade de monitorização ajuda a assegurar a conformidade com requisitos de segurança alimentar e a reduzir perdas associadas a falhas na cadeia de frio. Além da eficiência operacional, estas soluções reforçam também a segurança das operações logísticas. A possibilidade de localizar veículos e mercadorias em qualquer momento contribui para reduzir riscos de perdas ou furtos e melhorar a resposta a incidentes (saiba mais em https://www.cartrack.pt/localizacao- -gps-como-feita-monitorizacao-ativos/). Num setor cada vez mais competitivo, a adoção de ferramentas digitais para a gestão do transporte e da distribuição representa um passo importante na modernização da cadeia alimentar. Ao reforçar o controlo, a transparência e a capacidade de planeamento, estas soluções contribuem para uma logística mais eficiente, segura e sustentável. n DIGITALIZAÇÃO LOGÍSTICA: VANTAGENS PARA O SETOR ALIMENTAR • Maior visibilidade operacional: Monitorização em tempo real da localização dos veículos e das rotas. • Otimização de rotas e recursos: Análise de percursos que ajuda a reduzir custos operacionais e a melhorar a eficiência das entregas. • Controlo da cadeia de frio: Monitorização da temperatura da carga, garantindo a integridade dos produtos alimentares. • Reforço da segurança: Localização permanente de viaturas e mercadorias, reduzindo riscos de perdas ou furtos. • Decisão baseada em dados: Relatórios operacionais que permitem identificar oportunidades de melhoria na gestão logística. Para mais informações, visite o website da Cartrack: https://www.cartrack.pt/ Rita Correia, Marketing Manager da Cartrack Portugal.

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