BF20 - iAlimentar

EDITORIAL Há algo que se repete ao longo desta edição: a sensação de que tudo está a acontecer ao mesmo tempo. A indústria alimentar está a mudar (isso não é novo), mas a velocidade e o contexto em que essa mudança acontece são hoje diferentes. Fala-se de digitalização, de automação, de inteligência artificial. Mas, no terreno, essas palavras traduzem-se em algo mais direto: fazer melhor, com menos margem para falhar. Num armazém ou numa linha de produção, já não há espaço para decisões baseadas apenas na experiência. É preciso saber. Saber onde está o produto, em que condições, com que prazo. E saber isso no momento certo. Ao mesmo tempo, há outra pressão, mais silenciosa, mas constante. A sustentabilidade deixou de ser um objetivo de médio prazo e passou a entrar no dia a dia das decisões. Materiais, processos, desperdício… tudo é questionado. Produzir implica hoje justificar cada escolha, encontrar equilíbrio entre eficiência e responsabilidade. Mas há um terceiro fator que não pode ser ignorado: o contexto geopolítico. A instabilidade nos mercados internacionais, os conflitos, as tensões comerciais e a volatilidade dos preços das matérias-primas e da energia criam um cenário de incerteza permanente. Cadeias de abastecimento mais longas e interdependentes tornam-se também mais frágeis. Aquilo que antes era dado como garantido — disponibilidade, previsibilidade, custo — passou a ser variável. É neste cruzamento de pressões que a indústria alimentar opera. E é também por isso que a complexidade aumenta. A regulamentação evolui, muitas vezes mais depressa do que a capacidade de adaptação das empresas, introduzindo dúvidas num setor onde a margem para erro é mínima. Cada decisão passa a ter mais variáveis, mais impacto, mais risco. Neste cenário, a tecnologia surge como um ponto de apoio. Não resolve tudo, mas ajuda a reduzir a incerteza. Permite antecipar, testar, ajustar. Dá alguma previsibilidade num ambiente que deixou de o ser. Ainda assim, a transformação não é apenas tecnológica. É também uma mudança na forma como as empresas pensam e operam. Exige maior agilidade, maior capacidade de resposta e, sobretudo, maior consciência do contexto em que estão inseridas. A indústria alimentar vive, por isso, um momento exigente, mas também decisivo. Entre a pressão externa — económica, ambiental e geopolítica — e a necessidade interna de evoluir. Esperamos que esta edição contribua com informação útil e perspetivas relevantes para apoiar a tomada de decisão num contexto cada vez mais exigente. Entre a pressão e a transformação: o novo equilíbrio da indústria alimentar Politécnico de Leiria lança livro que valoriza património olivícola e impulsiona o olivoturismo Investigadores do CiTUR – Leiria, centro de investigação sediado na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), em Peniche, do Politécnico de Leiria, coordenaram a obra ‘Monumentos Vivos, Óleo Sagrado: Um Património Biocultural do Mediterrâneo e da Humanidade’, recentemente lançada com o objetivo de valorizar o património olivícola e promover boas práticas para a sua preservação, bem como reforçar o desenvolvimento do olivoturismo. Homenagear o património olivícola e sensibilizar para a adoção de boas práticas que contribuam para a sua preservação e para o desenvolvimento do olivoturismo são os principais objetivos do livro ‘Monumentos Vivos, Óleo Sagrado: Um Património Biocultural do Mediterrâneo e da Humanidade’, coordenado por investigadores do CiTUR – Leiria (Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo), sediado na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), em Peniche, do Instituto Politécnico de Leiria (IPL). A obra foi recentemente lançada e encontra-se já disponível para todos os interessados em conhecer as origens da oliveira, o processo de produção do azeite e os seus benefícios para a saúde humana, bem como o papel do olivoturismo no desenvolvimento dos territórios. O livro conta ainda com uma versão digital de acesso gratuito.

RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx