BF20 - iAlimentar

19 DIGITALIZAÇÃO LOGÍSTICA A empresa destaca ainda que estas soluções asseguram uma gestão mais dinâmica dos armazéns, com acompanhamento constante de stocks e fluxos logísticos, apoiando decisões mais rápidas e fundamentadas. Assim, neste caso em concreto, a digitalização reduz o número de tarefas manuais, diminui erros de registo e melhora a articulação entre produção, armazém e expedição. No terreno, isso traduz-se em operações mais fluidas e menos dependentes de correções posteriores. A rastreabilidade é mais uma área onde a transformação é evidente. Segundo a Flowtech, a possibilidade de associar cada lote a um conjunto completo de dados – desde a origem às condições de armazenamento ou ao percurso logístico – permite criar um histórico detalhado, completo e acessível de forma imediata. Ou seja, saber de onde vem um produto e por onde passou deixou de ser uma consulta demorada para passar a ser uma resposta quase instantânea. Na prática, esta rastreabilidade resulta da digitalização dos próprios processos operacionais. “O sistema regista de forma sequencial todas as etapas do processo produtivo, permitindo saber quem fez o quê e quando”, explica João Nogueira, sublinhando que esta abordagem reforça o controlo e a auditabilidade. A integração com tecnologias como códigos GS1 (padrão global de identificação), DataMatrix (código 2D para rastreabilidade) ou RFID (identificação por radiofrequência) permite automatizar a identificação de produtos e reduzir a intervenção manual, aumentando a fiabilidade da informação. Este nível de detalhe é particularmente relevante num setor onde a segurança alimentar está em causa, facilitando a identificação rápida de lotes afetados e a atuação de forma direcionada. CADEIA DE FRIO E SEGURANÇA ALIMENTAR DIGITAL A monitorização da cadeia de frio assume particular relevância neste contexto. A integração de sensores com sistemas de gestão viabiliza a associação de dados de temperatura a lotes específicos, garantindo um acompanhamento contínuo das condições de conservação. Esta capacidade permite não só detetar desvios, mas também gerar alertas automáticos sempre que são ultrapassados limites críticos, permitindo uma intervenção imediata e reduzindo significativamente o risco de perdas de produto. Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Frontiers in Blockchain analisou a utilização de tecnologias digitais na cadeia alimentar europeia e concluiu que ferramentas como blockchain, RFID e sensores IoT estão a reforçar a traçabilidade e a transparência ao longo da cadeia de abastecimento. Estes sistemas acompanham produtos em tempo real, facilitam a gestão de incidentes e melhoram os processos de recolha em caso de contaminação ou fraude alimentar. A digitalização dos sistemas de Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos (HACCP) insere-se nesta lógica de reforço do controlo, integração e rastreabilidade. Em Portugal, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) tem vindo a promover a digitalização dos processos de segurança alimentar no canal HORECA, nomeadamente através do desenvolvimento do HACCP Digital AHRESP, criado em parceria com a TechGuild. A solução permite digitalizar registos essenciais do sistema HACCP – como

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