45 EMBALAGENS E ROTULAGEM ALIMENTAR A sustentabilidade das embalagens tornou-se um dos principais desafios para a indústria alimentar. A necessidade de reduzir o uso de plásticos derivados do petróleo, melhorar a reciclabilidade e, simultaneamente, garantir a segurança e a conservação dos alimentos está a impulsionar novas linhas de investigação em toda a Europa. É neste contexto que surge o projeto europeu Redysign, uma iniciativa financiada pelo programa Horizon Europe que reúne centros de investigação, universidades e empresas com o objetivo de redesenhar os sistemas de embalagem alimentar numa perspetiva de economia circular. O projeto é coordenado pelo VTT Technical Research Centre of Finland e conta com a participação de centros tecnológicos e de investigação como a Tecnalia, os RISE Research Institutes of Sweden e o Fraunhofer Institute for Process Engineering and Packaging IVV, bem como de universidades como a Lund University e a Aalto University. O consórcio integra ainda empresas e organizações de diferentes pontos da cadeia de valor da embalagem e da alimentação, entre as quais a PackBenefit SL, a MetGen Oy, a McAirlaid’s, a Holoss – Holistic and Ontological Solutions for Sustainability, a Fábrica Nacional de Moneda y Timbre – Real Casa de la Moneda, a Fenix TNT e a Zabala Innovation, bem como operadores do setor alimentar e da distribuição, como a Atria e a Eroski. Em conjunto, os parceiros desenvolvem novos materiais e tecnologias que permitam criar embalagens recicláveis desde a conceção, assegurando simultaneamente as características exigidas por aplicações como o acondicionamento de carne fresca. ADESIVOS DE BASE BIOLÓGICA PARA EMBALAGENS FIBROSAS Uma das linhas de investigação centra-se no desenvolvimento de adesivos de base biológica para sistemas de embalagem à base de fibras. Os adesivos habitualmente utilizados em embalagens alimentares têm, em grande parte, origem fóssil. Apesar do seu bom desempenho técnico, levantam desafios ambientais relacionados com a pegada de carbono e a dependência de recursos não renováveis. Para responder a este desafio, investigadores do VTT estão a desenvolver adesivos a partir de matérias-primas de origem biológica. Mais concretamente, a equipa desenvolveu formulações à base de açúcares derivados da madeira, nomeadamente xilose e glicose. Estas formulações utilizam ácido cítrico como agente de reticulação e evitam o recurso a catalisadores adicionais, com o objetivo de minimizar a presença de substâncias potencialmente problemáticas em materiais destinados ao contacto com alimentos. Os adesivos foram avaliados através de vários ensaios laboratoriais, com o objetivo de analisar a resistência da selagem e o comportamento face à humidade em diferentes materiais, como cartão ou estruturas combinadas de cartão e película. Os resultados indicam que algumas das formulações apresentam um desempenho promissor para aplicações em embalagens alimentares. Após vários estudos, as formulações mais promissoras estão a ser avaliadas em protótipos reais, nos quais o adesivo é utilizado para unir a tampa à bandeja. (a) Representação esquemática de um ensaio T-seal; (b) representação esquemática de um ensaio de cisalhamento por sobreposição (lap shear); (c) amostras de cartão e película testadas em laboratório com adesivo entre ambas as camadas. Exemplo ilustrativo de deteção baseada em Raman aplicada a embalagens de base fibrosa (visualização conceptual, não representando uma imagem real do projeto Redysign).
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