A Aveleda está a desenvolver um sistema de identificação automática de castas baseado em inteligência artificial (IA), capaz de reconhecer variedades de uva a partir de imagens de bagos e cachos, no momento da receção na adega. O projeto está a ser desenvolvido no centro de vinificação da empresa, em Penafiel, na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, e constitui uma abordagem pioneira em Portugal ao aplicar esta tecnologia em condições reais de receção e descarga de uvas.
A tecnologia pretende responder a um dos desafios desta fase do processo de vinificação: a identificação da casta, atualmente realizada por técnicos especializados através de observação visual. Nesta etapa, as uvas são frequentemente descarregadas sem folhas ou outros elementos que facilitam a identificação varietal. A solução em desenvolvimento recorre a modelos de IA capazes de analisar características como a cor e a dimensão dos bagos, a arquitetura do cacho e a textura superficial.
Ao contrário de outras abordagens já estudadas, que recorrem à identificação de castas através de folhas ou de imagens recolhidas na vinha, o projeto da Aveleda centra-se na identificação varietal após a colheita, durante a descarga industrial e em condições reais de operação. Esta é uma área ainda pouco explorada e constitui uma das principais dimensões de inovação do projeto.
A tecnologia utiliza modelos probabilísticos que atribuem níveis de confiança às classificações, em vez de determinar a casta de forma absoluta. Esta abordagem permite lidar com fatores que podem influenciar a aparência das uvas, como o estado de maturação, as condições ambientais e agronómicas ou a eventual presença de diferentes castas no mesmo lote.
“O desenvolvimento desta solução, pioneira no setor, permitirá aumentar a consistência e a transparência do processo, criando simultaneamente uma base tecnológica para a adega do futuro e colocando a Aveleda entre as referências internacionais na aplicação de inteligência artificial à viticultura e à enologia”, salienta José Carlos Fernandes, diretor de viticultura da Aveleda.
A primeira fase do projeto está a decorrer durante a vindima de 2026 e inclui a recolha de imagens, a construção de uma base de dados, a caracterização das castas prioritárias e o desenvolvimento e teste dos primeiros modelos de IA em ambiente real. Os resultados serão posteriormente comparados com as avaliações de especialistas, permitindo determinar a precisão alcançada e identificar situações de mistura varietal.
A solução integra-se num projeto mais abrangente de digitalização da receção de uvas da Aveleda. A plataforma em desenvolvimento permite associar automaticamente a informação fornecida no momento da entrega, incluindo o histórico de entregas, as castas, as datas e os horários, e acompanhar as uvas ao longo do processo de receção e encaminhamento para processamento.
O objetivo é reforçar a objetividade e a consistência da classificação das uvas, contribuindo também para uma maior rastreabilidade da matéria-prima e para critérios mais robustos de valorização económica. A Aveleda pretende aperfeiçoar progressivamente a tecnologia à medida que os modelos forem validados em diferentes campanhas de vindima.
O desenvolvimento conta com recursos próprios do departamento de tecnologias de informação (IT) da Aveleda e com a colaboração da Pendão & Prior, empresa especializada em fotografia e luz, e da Splnet, especializada no desenvolvimento de tecnologia de IA.
“A inovação faz parte do ADN da Aveleda. Este projeto, que combina conhecimento vitícola, tecnologia e inteligência artificial, reflete a dedicação das nossas equipas em prol da melhoria contínua”, conclui António Guedes, co-CEO da Aveleda.



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