Garantir que um produto fresco, como carne, peixe ou hortícolas, chega ao consumidor nas melhores condições de qualidade exige um controlo rigoroso ao longo de toda a cadeia de valor. Para responder a este desafio, a Mercadona adotou códigos QR com GS1 Digital Link, transformando a gestão dos artigos frescos de peso variável e de peso fixo.
Ao contrário dos códigos de barras tradicionais, a nova geração de códigos bidimensionais GS1 permite integrar, num único código, um conjunto de informações relevantes para a gestão de cada artigo, como a identificação do produto (GTIN), o número de lote, a data de validade, o peso e o preço, entre outros dados. Esta informação reforça a rastreabilidade, permitindo identificar com precisão o fornecedor, o lote e as características de cada artigo em tempo real.
A aplicação desta tecnologia no retalho já está a demonstrar benefícios concretos. No caso da Mercadona, a utilização de códigos QR com GS1 Digital Link permite assegurar rapidez de leitura, bom desempenho de impressão e compatibilidade com os terminais de pagamento (POS) e os scanners já existentes nas lojas. Esta opção evita a substituição de hardware e garante uma leitura rápida e fiável nos equipamentos instalados.
Na prática, se um produto cuja data-limite de consumo já tenha sido ultrapassada chegar ao terminal de pagamento, o sistema reconhece essa informação e bloqueia automaticamente a venda. A validação dos dados do artigo no ponto de venda reforça, assim, a segurança alimentar e a proteção do consumidor.
Além da proteção direta do consumidor, os Standards GS1 permitem obter ganhos relevantes de eficiência operacional. Na implementação realizada pela Mercadona, a impressão de etiquetas com códigos QR com GS1 Digital Link em produtos próximos de atingir a data-limite de consumo passou de cerca de 75 segundos para menos de 10 segundos, uma redução significativa face ao processo anterior.
À escala da operação, este avanço tecnológico tem o potencial de recuperar cerca de meio milhão de horas de trabalho, libertando as equipas para funções de maior valor acrescentado e reforçando a importância da normalização na transformação digital do retalho.
O acesso a dados estruturados oferece também uma visão em tempo real sobre o stock disponível e os produtos que se aproximam do fim do prazo de validade. Esta transparência permite aplicar atempadamente reduções de preço, melhorar o controlo de stock e reduzir o desperdício alimentar.
“Através da utilização de códigos bidimensionais com GS1 Digital Link, conseguimos melhorar a rastreabilidade dos nossos processos e torná-los substancialmente mais eficientes e robustos”, refere Edgar Talavera, coordenador da área de códigos de barras da Mercadona. “Esta evolução tecnológica aproxima-nos cada vez mais do padrão de excelência com que trabalhamos diariamente para entregar ao nosso ‘Chefe’ – o termo que utilizamos internamente para definir os nossos clientes.”
“O GS1 Digital Link funciona como um passaporte digital avançado. Ao adotar este standard, a Mercadona consegue responder a necessidades e interesses dos consumidores, combater o desperdício alimentar de forma inteligente e simplificar a operação das equipas. É a prova clara de que a linguagem global e única que só o Sistema de Standards GS1 oferece aos negócios é instrumento de um setor mais ágil, seguro e sustentável”, reforça Paulo Gomes, diretor-geral da GS1 Portugal.
Após a implementação inicial nas secções de carne fresca, a Mercadona prevê alargar progressivamente a marcação e leitura de códigos bidimensionais com GS1 Digital Link a outras categorias de produtos, como o peixe, os queijos e as frutas e legumes. O exemplo demonstra como a adoção de standards globais pode apoiar uma gestão mais eficiente, transparente e sustentável em diferentes áreas do retalho alimentar.

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