O Port Wine Day, promovido pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), em parceria com a Câmara Municipal do Porto, decorreu a 10 de setembro, no Museu do Vinho do Porto, e assinalou os 270 anos da Região Demarcada do Douro. A iniciativa reuniu representantes do setor vitivinícola, instituições e agentes económicos em torno do tema ‘Um Douro + Sustentável’.
A sessão incluiu a atribuição dos Prémios Douro + Sustentável 2026, que distinguiram Nuno Pizarro de Magalhães, na categoria Viticultura, Pedro Coelho, na categoria Enologia, o Torel Quinta da Vacaria – Douro Valley, na categoria Enoturismo, e a Associação Bagos d’Ouro, com o Prémio Revelação.
Na sessão de encerramento, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR Norte), Álvaro Santos, destacou o significado dos 270 anos da Região Demarcada do Douro e dos 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO, considerando que ambas as datas representam “dois compromissos com o futuro”.
“A criação da Região Demarcada do Douro constituiu um ato de enorme visão: proteger uma origem, assegurar a qualidade e autenticidade de um produto e, simultaneamente, defender um território e aqueles que nele trabalhavam. Passados 270 anos, essa visão mantém uma extraordinária atualidade”, afirmou.
Álvaro Santos salientou também que o Vinho do Porto constitui um dos principais símbolos da identidade nacional e regional. “Falar do Vinho do Porto é falar muito para além de um vinho. É falar de um território, das suas comunidades, de uma economia regional profundamente ligada à terra e de uma marca portuguesa reconhecida em todo o mundo”, referiu.
Enquanto entidade gestora do Alto Douro Vinhateiro, a CCDR Norte assume a responsabilidade de contribuir para a preservação e valorização deste património mundial, promovendo, em simultâneo, o desenvolvimento sustentável do território. Para Álvaro Santos, a preservação deste património deve ser compatível com a continuidade da atividade económica e com a permanência da população. “Preservar este património não significa imobilizar o território no tempo. Significa garantir que continua vivo. Que continua a produzir. Que continua a criar riqueza. E, sobretudo, que continua a ter pessoas”, sublinhou.
Considerando particularmente oportuno o tema escolhido para esta edição do Port Wine Day, o presidente da CCDR Norte defendeu uma visão abrangente. “A sustentabilidade do Douro não pode ser apenas ambiental. Tem de ser também económica, social e demográfica. Tem de significar melhores condições para os viticultores, maior valorização da produção, capacidade para atrair investimento e inovação, mais oportunidades para os jovens e maior criação de valor no próprio território”, afirmou. O responsável acrescentou que “o futuro do Douro depende da nossa capacidade coletiva para construir este equilíbrio entre património e desenvolvimento, tradição e inovação, competitividade e sustentabilidade”.
Álvaro Santos enquadrou estes desafios na reflexão estratégica em curso sobre o futuro da Região Norte, defendendo a necessidade de respostas de longo prazo para territórios de baixa densidade como o Douro. Neste contexto, recordou que a CCDR Norte está a promover a elaboração do Livro Verde Norte 2050, um exercício participado de reflexão sobre os principais desafios demográficos, económicos, sociais e ambientais da região.
“O debate sobre a sustentabilidade do Douro está no centro das preocupações que temos vindo a desenvolver no âmbito do Livro Verde Norte 2050. Quando falamos de sustentabilidade, falamos da capacidade de garantir atividade económica, fixar população, criar oportunidades para os jovens e valorizar os recursos únicos que distinguem este território”, sublinhou.
O presidente da CCDR Norte considerou que o Douro constitui um dos grandes desafios estratégicos da Região Norte. “A preservação da paisagem, do património e da identidade do Douro depende da nossa capacidade para assegurar condições de competitividade, inovação e criação de valor. É essa visão que queremos projetar no Norte 2050: uma região mais coesa, mais sustentável e mais preparada para responder às transformações das próximas décadas.”
Álvaro Santos felicitou ainda o IVDP pela iniciativa e as entidades distinguidas pelos contributos para a valorização da região. “As empresas, os enólogos e todos aqueles que hoje foram distinguidos demonstram que é possível inovar, qualificar e acrescentar valor mantendo uma ligação profunda à identidade deste território.”
O presidente do IVDP, Gilberto Igrejas, destacou igualmente a importância simbólica das efemérides celebradas em 2026, salientando a ligação entre o Douro, Vila Nova de Gaia e o Porto na construção de uma das marcas portuguesas mais reconhecidas internacionalmente.
Durante a cerimónia foi também anunciado o Porto Blend, um novo festival dedicado aos Vinhos do Douro e do Porto, promovido pelo IVDP em parceria com a Câmara Municipal do Porto, que vai ter lugar nos dias 10 e 11 de setembro de 2027.

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