O projeto Sensimarine pretende desenvolver uma solução tecnológica para apoiar a transição digital da produção aquícola de peixes e bivalves, através da monitorização contínua da qualidade da água e de parâmetros biológicos, recorrendo a sensores inteligentes, sistemas de microfluídica, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e modelos preditivos.
A iniciativa é promovida pela Ernesto São Simão, em copromoção com o Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes (CeNTI), a Universidade de Aveiro e a Associação Portuguesa de Aquacultores, contando com cofinanciamento do Compete 2030.
De acordo com informação do CeNTI e do Compete 2030, o projeto pretende responder a um dos principais desafios da aquicultura: acompanhar, em tempo real, as condições ambientais que influenciam a produção de peixes e bivalves, contribuindo para melhorar o bem-estar animal, aumentar a produtividade, otimizar a gestão de dados e reduzir o impacto ambiental.
A solução em desenvolvimento prevê a criação de sensores capazes de monitorizar continuamente parâmetros como temperatura, pH, salinidade e oxigénio dissolvido, bem como indicadores biológicos relevantes para a atividade aquícola, entre os quais brometo, clorofila-a e cortisol. O objetivo é disponibilizar informação em tempo real que permita uma gestão mais eficiente das explorações.
O projeto contempla ainda o desenvolvimento de um sistema integrado de monitorização baseado em tecnologia de microfluídica, aplicável tanto a sistemas intensivos de produção – como truta, dourada, robalo, linguado e pregado – como a sistemas extensivos de cultivo de bivalves.
Outra das vertentes do Sensimarine passa pelo desenvolvimento de algoritmos e modelos preditivos para apoio à decisão, recorrendo a técnicas de inteligência artificial e machine learning. Com base nos dados recolhidos, estas ferramentas deverão permitir antecipar situações de risco e apoiar a otimização dos processos produtivos.
O sistema vai incluir igualmente soluções de rastreabilidade para gaiolas de produção de bivalves em regimes extensivos, complementadas por uma plataforma digital de gestão de dados. Segundo o Compete 2030, esta componente poderá recorrer à tecnologia RFID (Radio-Frequency Identification) para acompanhar a localização das estruturas e centralizar a informação operacional.
O projeto Sensimarine representa um investimento de 1.084.896 euros e conta com um apoio de 864.691 euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do programa Compete 2030. O financiamento europeu cobre 80% do investimento.
Segundo o CeNTI, a iniciativa pretende reforçar a transformação digital da aquicultura nacional através da integração de tecnologias de sensorização avançada, inteligência artificial e sistemas de rastreabilidade, contribuindo para aumentar a competitividade e a sustentabilidade do setor.

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