A recolha seletiva de resíduos de embalagens para reciclagem em Portugal aumentou apenas 0,9% no primeiro semestre de 2026, totalizando 233 065 toneladas, segundo os dados do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE). A evolução é considerada insuficiente pela Sociedade Ponto Verde (SPV) e pela Novo Verde, que alertam para a necessidade de reforçar a eficiência da recolha seletiva e da triagem para que o país consiga cumprir as metas nacionais e europeias de reciclagem.
Os dados revelam desempenhos distintos consoante o material. O papel/cartão registou um crescimento de cerca de 5%, enquanto o alumínio aumentou 7%. A madeira também apresentou uma evolução positiva, com um acréscimo de 13,5%.
Já o vidro, apesar de continuar a ser o material com maior volume recolhido, registou um crescimento de apenas 1%, um resultado que ambas as entidades consideram preocupante por colocar em causa o cumprimento das respetivas metas de reciclagem. As Embalagens de Cartão para Alimentos Líquidos (ECAL) mantiveram igualmente uma evolução negativa, permanecendo abaixo dos valores do período homólogo.
No caso do plástico, os dados evidenciam diferenças entre tipologias. A análise nacional aponta para uma redução de 6,6% na recolha deste material, correspondente a menos 2 814 toneladas, muito influenciada pela quebra nas chamadas ‘outras embalagens de plástico’, categoria que inclui, entre outras, embalagens de batatas fritas, copos de iogurte e embalagens de frutos secos.
Ainda assim, algumas frações registaram evoluções positivas. O filme plástico, que inclui sacos e o plástico que envolve conjuntos de embalagens de bebidas, cresceu 8%, enquanto o polietileno de alta densidade (PEAD) aumentou 3% e o polietileno tereftalato (PET), utilizado nas garrafas de bebidas, registou um crescimento de 6%.
A Sociedade Ponto Verde salienta que o financiamento do sistema continua a crescer e estima que, em 2026, o investimento no SIGRE atinja cerca de 237 milhões de euros, mais 25 milhões do que no ano anterior. No entanto, considera que este reforço financeiro ainda não se traduz numa melhoria efetiva da recolha seletiva e da triagem.
Segundo a entidade, a prioridade passa por modernizar a operação, aumentando a eficiência dos sistemas através da adoção de tecnologia, da utilização de ecopontos mais inovadores, do reforço da recolha porta a porta e da implementação de soluções adaptadas às características de cada território.
Também a Novo Verde considera que os resultados do primeiro semestre evidenciam a necessidade de acelerar o cumprimento das metas de reciclagem. A entidade defende o reforço da sensibilização dos cidadãos, a melhoria das condições de participação e o investimento em inovação e em mecanismos que permitam aumentar a captação de resíduos de embalagens para reciclagem.
Portugal registou, em 2025, uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%, abaixo da meta europeia atualmente em vigor, que estabelece a reciclagem de 65% das embalagens colocadas no mercado, encontrando-se em incumprimento destes objetivos. Segundo a Sociedade Ponto Verde, os resultados do primeiro semestre de 2026 indicam que será necessário acelerar significativamente o desempenho da recolha seletiva para inverter esta tendência.

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