Os alimentos e as bebidas continuam a dominar o mercado europeu das embalagens. Em 2024, estes setores representaram 97% de todas as embalagens colocadas no mercado nos 19 Estados-Membros analisados pelo Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia, que abrangem mais de 97% da população da União Europeia.
O estudo conclui igualmente que, entre 2011 e 2025, o plástico foi o único material de embalagem a registar um crescimento contínuo, aumentando 11% em termos absolutos, enquanto a quantidade total de embalagens permaneceu relativamente estável.
Segundo o relatório, foram colocadas no mercado 42,8 milhões de toneladas de embalagens em 2024, o equivalente a cerca de 98 quilogramas por habitante. O vidro representa a maior parte desta massa, com 32,3 milhões de toneladas, seguido do plástico (5,9 milhões de toneladas), dos metais (2,3 milhões de toneladas), do papel e cartão, incluindo embalagens para líquidos (2,1 milhões de toneladas), e dos materiais compósitos, que representam uma parcela residual.
O predomínio do vidro resulta sobretudo da sua maior densidade e não necessariamente de uma utilização mais frequente. Além disso, o estudo considera tanto embalagens de utilização única como reutilizáveis, particularmente relevantes no caso das garrafas de vidro, cuja utilização continua a ser significativa em vários países europeus.
A análise identifica ainda os produtos que mais contribuem para cada material de embalagem. As bebidas alcoólicas, sobretudo cerveja e vinho, são responsáveis pela maior parte das embalagens de vidro colocadas no mercado. Já nas embalagens plásticas, destacam-se a água engarrafada, os refrigerantes gaseificados e os produtos lácteos, enquanto o leite assume um peso determinante nas embalagens de cartão para líquidos. No caso das embalagens metálicas, a cerveja lidera tanto nas embalagens de alumínio como nas de aço.
No que respeita ao plástico, a quantidade colocada no mercado atingiu 5,9 milhões de toneladas em 2024, correspondendo a uma média de quase 14 quilogramas por habitante nos 19 países analisados. Entre 2011 e 2025, este volume aumentou de 5,4 para 5,9 milhões de toneladas, sendo o crescimento impulsionado sobretudo pelo polietileno tereftalato (PET), material amplamente utilizado em garrafas de água, refrigerantes e outras bebidas.
Em Portugal, o PET representa 56,9% das embalagens plásticas utilizadas em alimentos e bebidas, o que coincide com o valor da mediana dos 19 Estados-Membros analisados e ligeiramente acima da média europeia, de 55%. O polipropileno (PP) corresponde a 35%, enquanto o polietileno de alta densidade (HDPE) representa 6,8%.
As diferenças entre países são, contudo, significativas. A Roménia apresenta a maior proporção de PET nas embalagens alimentares e de bebidas (74,4%), enquanto a Suécia regista a mais baixa (29,5%). Em sentido inverso, a Suécia lidera na utilização de PP (65,1%), ao passo que a Roménia apresenta a menor percentagem deste polímero (23,2%). Segundo os autores, esta distribuição reflete sobretudo o tipo de produtos embalados, uma vez que o PET está maioritariamente associado às bebidas, enquanto o PP é utilizado numa gama mais diversificada de produtos alimentares.
Também a quantidade de embalagens plásticas por habitante varia consideravelmente. Em 2024, a Alemanha registou o valor mais elevado, com 15,6 quilogramas por pessoa, enquanto a Suécia apresentou apenas 8 quilogramas, bastante abaixo da média dos países analisados. O peso da água engarrafada ajuda a explicar parte destas diferenças: em Itália representa 46% das embalagens plásticas colocadas no mercado, ao passo que na Suécia essa proporção se limita a 6%.
Apesar do debate crescente em torno da substituição de materiais de embalagem, o estudo identificou apenas sete casos de alterações significativas entre 2011 e 2025, envolvendo produtos como leite, água engarrafada e sumos. Entre os exemplos encontram-se a substituição parcial do vidro por PET nas garrafas de água em Itália e a tendência inversa na Bulgária. Ainda assim, os investigadores alertam que estas mudanças nem sempre resultam de decisões de substituição de materiais, podendo refletir alterações nos padrões de consumo ou na composição das vendas.
O modelo desenvolvido pelo JRC destina-se a apoiar os Estados-Membros na estimativa das embalagens colocadas no mercado e na comunicação das quantidades de resíduos de embalagens, constituindo uma ferramenta de suporte à aplicação do Regulamento relativo às Embalagens e Resíduos de Embalagens e à monitorização da evolução do mercado europeu.

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