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Projeto europeu reuniu 25 parceiros de 12 países e envolveu milhares de cidadãos na investigação científica

Increase deixa plataforma aberta com dados genéticos de leguminosas após seis anos de investigação

24/06/2026
O conhecimento gerado ao longo de seis anos por investigadores de 12 países sobre algumas das principais leguminosas consumidas na Europa passa agora a estar disponível numa plataforma aberta, que reúne informação genética e agronómica considerada estratégica para a agricultura do futuro.
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O projeto europeu Increase - Intelligent Collections of Food Legumes Genetic Resources for European Agrofood Systems - chegou ao fim após seis anos de trabalho, deixando um legado significativo para a conservação da biodiversidade agrícola e para o desenvolvimento de sistemas alimentares mais sustentáveis. Um dos principais resultados é a plataforma de acesso aberto que reúne dados de passaporte, fenotípicos e genómicos, sobre os recursos genéticos das leguminosas alimentares.

Financiado pela União Europeia através do programa Horizon 2020, o projeto reuniu 25 parceiros de 12 países, incluindo a Universidade Católica Portuguesa (UCP), com o objetivo de preservar e promover a utilização sustentável dos recursos genéticos de quatro leguminosas alimentares fundamentais: grão-de-bico, feijão comum, lentilha e tremocilha (lupino).

A Universidade Católica Portuguesa participou no consórcio através do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia. No âmbito do projeto, a equipa de investigadores caracterizou cerca de 1.300 amostras de feijão comum cultivadas em Espanha, Itália e Polónia ao longo de dois anos. As análises incluíram a avaliação do teor de proteína, compostos fenólicos, minerais essenciais, hidratos de carbono, óleo e humidade, contribuindo para o conhecimento da qualidade nutricional destas variedades e para o estudo das interações entre genótipo e ambiente.

“Um dos aspetos mais inspiradores do Increase foi a capacidade de envolver milhares de cidadãos na conservação da agrodiversidade europeia. Este projeto mostrou que a ciência participativa pode desempenhar um papel determinante na valorização dos recursos genéticos e na sensibilização da sociedade para a importância das leguminosas na alimentação e na sustentabilidade agrícola”, referiu Marta Vasconcelos, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e coordenadora do projeto em Portugal.

O projeto destacou-se pela sua forte componente de ciência cidadã. Através de uma aplicação móvel desenvolvida no âmbito da iniciativa, mais de 27 mil cidadãos europeus participaram na avaliação e conservação de variedades de feijão comum, cultivando plantas em jardins, escolas e espaços urbanos e partilhando observações com a comunidade científica. Este modelo foi possível graças a um enquadramento legal, incluindo o Standard Material Transfer Agreement (SMTA) para a troca rastreável de sementes, no âmbito do Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura da FAO. Esta experiência foi distinguida com o Prémio da União Europeia para a Cidadania e Ciência, tornando-se uma referência internacional na promoção da participação pública na investigação científica.

Outro resultado em destaque foi a criação das chamadas ‘Coleções Inteligentes’, subconjuntos cuidadosamente selecionados de recursos genéticos que representam, de forma eficiente, a diversidade existente nos bancos de genes. Estas coleções combinam diversidade genética representativa, dados fenotípicos harmonizados (características observáveis das plantas) e informação genómica de alta resolução. “Para o feijão comum, por exemplo, foram geradas cerca de oito mil linhas geneticamente estáveis, apoiadas por sequenciação genómica extensiva e ensaios de campo em múltiplos locais europeus”, esclareceu Marta Vasconcelos. No caso do lupino, trata-se da caracterização mais completa alguma vez realizada para esta cultura. Estes recursos permitem aos investigadores identificar, de forma muito mais eficiente, características genéticas importantes e desenvolver novas variedades adaptadas às condições ambientais em constante mudança.

Utilizando tecnologias avançadas de genómica e 'ómicas', o Increase identificou também regiões genéticas importantes em várias leguminosas: no grão-de-bico, regiões associadas à tolerância à seca; na lentilha, genes que ajudam as plantas a adaptarem-se a condições de altitude; e no feijão comum, genes que conferem resistência a doenças. Combinando estes dados com novos métodos estatísticos, os cientistas conseguem agora identificar genes cujos efeitos dependem do ambiente em que a planta cresce. Esta informação alimenta modelos preditivos que permitem determinar quais as variedades mais adequadas a cada contexto, hoje e no futuro, face às alterações climáticas.

Embora o projeto tenha terminado em abril de 2026, os recursos genéticos, os dados científicos e as ferramentas desenvolvidas vão permanecer disponíveis para investigadores, agricultores, melhoradores de plantas e bancos de genes em toda a Europa. A continuidade da comunidade criada em torno da iniciativa será assegurada pela associação Diversitas, criada para dar seguimento às atividades de conservação descentralizada e investigação participativa iniciadas pelo projeto.

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