Portugal registou em 2025 um crescimento do retalho alimentar acima da média europeia, impulsionado pela recuperação real do consumo, embora persistam sinais de fragilidade em segmentos como o online e os discounters, segundo um estudo da McKinsey e da EuroCommerce.
Portugal apresentou em 2025 uma evolução mista no setor da distribuição alimentar, combinando crescimento superior ao europeu com fragilidades ao nível do volume e de alguns canais. De acordo com o estudo ‘The State of Grocery 2026’, da McKinsey & Company e da EuroCommerce, divulgado a 21 de abril, o mercado nacional cresceu 5,2%, acima dos 3,1% registados na Europa.
Este desempenho reflete também uma recuperação em termos reais, com um aumento de 2,3% em Portugal, comparando com 0,5% no conjunto europeu, sinalizando uma retoma efetiva do consumo para além do efeito da inflação. Ainda assim, o crescimento não foi homogéneo: o volume manteve-se em contração no mercado português (-0,5%), enquanto na Europa registou uma ligeira subida (+0,6%).
A estrutura do mercado nacional continua marcada pelo forte peso da marca própria, que representa 47,7% das vendas, um valor significativamente acima da média europeia (40%). Este posicionamento consolida Portugal como um dos mercados mais avançados nesta dimensão.
Por outro lado, a intensidade promocional diminuiu no país em 1,5 pontos percentuais, em contraste com o ligeiro aumento observado na Europa (+0,2 pontos percentuais), refletindo uma dinâmica distinta nas estratégias comerciais.
No food service, o crescimento nacional foi de 2,8%, abaixo dos 4,3% registados na Europa, indicando um ritmo de recuperação mais moderado neste segmento.
A confiança do consumidor também evoluiu de forma distinta, com uma melhoria de 0,8% no mercado nacional, ao passo que na Europa se registou uma deterioração de 0,9%.
O relatório, que integra contributos de mais de 35 executivos e 15 mil consumidores em 14 países, destaca a pressão sobre custos e margens como principal prioridade para 77% dos CEOs. Apesar disso, o sentimento de mercado mostra sinais de melhoria, com 25% dos líderes a anteciparem melhores condições em 2026.
A marca própria reforça-se como pilar estrutural, atingindo 40% de quota na Europa, com cerca de 90% dos consumidores a indicarem intenção de manter ou aumentar o seu consumo. Em paralelo, o canal online continua a crescer, embora a um ritmo mais moderado, e com maior fragmentação e menor fidelização.
Entre as principais tendências para 2026, o estudo aponta a adaptação às novas exigências do consumidor, a procura de crescimento fora do negócio tradicional e o reforço da diferenciação, com destaque para o papel crescente da inteligência artificial e da automação na melhoria da eficiência e competitividade do setor.
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