O projeto VIDA surge neste contexto, propondo uma abordagem inovadora para transformar estes fluxos residuais em ingredientes funcionais de elevado valor acrescentado, com aplicações nas indústrias alimentar, nutracêutica, cosmética e de nutrição animal.
Desenvolvido por Ítala Marx, investigadora na área da química e tecnologia alimentar com mais de 15 anos de experiência em compostos bioativos e valorização de subprodutos agroalimentares, o projeto aplica princípios de economia circular e biotecnologia para explorar o potencial funcional presente nas diferentes matrizes da oliveira.
Ítala Marx, responsável pela projeto VIDA é investigadora na área da química e tecnologia alimentar com mais de 15 anos de experiência em compostos bioativos e valorização de subprodutos agroalimentares.
O bagaço de azeitona é naturalmente rico em fibras alimentares, compostos fenólicos antioxidantes, lipídios residuais e moléculas bioativas. Apesar deste potencial, grande parte deste material continua subutilizado, sendo frequentemente destinado a aplicações de baixo valor ou gestão como resíduo.
VIDA propõe um processo de valorização em cascata, capaz de fracionar o bagaço de azeitona e gerar diferentes ingredientes com propriedades funcionais específicas.
Entre as soluções atualmente em desenvolvimento encontram-se:
Esta abordagem permite transformar um subproduto abundante da cadeia olivícola numa fonte de novos ingredientes naturais, alinhados com a crescente procura por soluções sustentáveis, ingredientes 'clean label' e produtos com valor funcional acrescido.
A redução do desperdício, a utilização eficiente de recursos e o desenvolvimento de ingredientes naturais com benefícios funcionais são hoje prioridades para a indústria alimentar, num contexto de crescente procura por modelos de produção mais sustentáveis e alinhados com os princípios da bioeconomia circular.
Neste contexto, iniciativas como o VIDA contribuem para reimaginar os fluxos de resíduos da cadeia agroalimentar, criando oportunidades de negócio e reforçando a sustentabilidade do setor.
O processo segue princípios zero-waste e solvent-free, permitindo uma valorização sustentável e segura da biomassa. A tecnologia combina tratamentos enzimáticos seletivos com processos avançados de separação por membranas, o que permite aumentar significativamente o rendimento de extração e a pureza das frações obtidas.
Atualmente, a tecnologia encontra-se em TRL 4 (Technology Readiness Level), com validação em ambiente laboratorial e desenvolvimento de protótipos de ingredientes. O desenvolvimento tecnológico do processo tem sido conduzido no Brigantia EcoPark – Parque de Ciência e Tecnologia de Bragança, um ecossistema de inovação que apoia projetos de base científica e tecnológica e disponibiliza infraestruturas laboratoriais para investigação, desenvolvimento e incubação de startups.
A matéria-prima utilizada no projeto tem sido fornecida por um parceiro regional da indústria olivícola, que produz azeites de elevada qualidade através de sistemas de extração de duas fases, permitindo trabalhar com bagaço de azeitona fresco e rico em compostos bioativos.
Paralelamente, a caracterização química e a avaliação do potencial bioativo das frações obtidas estão a ser conduzidas na Universidad de Córdoba (Espanha), no âmbito de atividades de investigação na área da química dos alimentos e dos compostos fenólicos derivados da oliveira.
A médio prazo, o projeto prevê o estabelecimento de parcerias estratégicas com produtores de azeite, empresas do setor alimentar e centros de investigação, com o objetivo de promover a transferência de conhecimento, a validação tecnológica das soluções desenvolvidas e o desenvolvimento de novos produtos baseados nestes ingredientes.
Adicionalmente, VIDA encontra-se atualmente empenhado no fortalecimento do seu ecossistema de colaboração, através da preparação de candidaturas a programas nacionais e europeus de financiamento à inovação e investigação, nomeadamente Portugal 2030 e Horizon Europe, bem como na identificação de potenciais parceiros industriais, análise de mercado e definição de estratégias de posicionamento e comercialização dos ingredientes desenvolvidos.
Ao transformar um subproduto abundante da indústria olivícola num recurso de elevado valor acrescentado, o VIDA demonstra o potencial da integração entre ciência, inovação tecnológica e princípios de economia circular na construção de sistemas agroalimentares mais sustentáveis e eficientes
Característica inovadora do VIDA
O VIDA foi um dos projetos selecionados do Empowering Women in Agrifood 2025 (EWA)
www.ialimentar.pt
iAlimentar - Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa