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Estudo científico identifica a origem e até a época de captura através da assinatura química das conchas, ajudando autoridades a travar fraude e pesca ilegal

Universidade de Aveiro desenvolve teste que identifica origem da amêijoa-japonesa e combate fraude

09/03/2026

Uma técnica desenvolvida por investigadores da Universidade de Aveiro permite identificar a origem geográfica da amêijoa-japonesa através da composição química das suas conchas. O método pode ajudar a combater a rotulagem fraudulenta e a pesca ilegal de centenas de toneladas deste molusco todos os anos, além de reforçar a segurança alimentar.

Os investigadores Fernando Ricardo, Carla Patinha, Ricardo Calado e Renato Mamede. Créditos: Universidade de Aveiro...

Os investigadores Fernando Ricardo, Carla Patinha, Ricardo Calado e Renato Mamede. Créditos: Universidade de Aveiro.

Uma técnica desenvolvida por investigadores da Universidade de Aveiro (UA) permite identificar a origem geográfica da amêijoa-japonesa através da análise da composição química das suas conchas, contribuindo para combater a rotulagem fraudulenta e a pesca ilegal de centenas de toneladas deste molusco todos os anos.

Segundo um comunicado da Universidade de Aveiro, o método baseia-se na chamada ‘impressão elementar’ das conchas – uma assinatura química natural que reflete as condições ambientais onde as amêijoas cresceram.

Só no dia de Natal de 2025, as autoridades nacionais apreenderam quase cinco toneladas de amêijoa-japonesa viva em vários pontos do território nacional, destinadas ao consumo humano. Este molusco é capturado ilegalmente ao longo de todo o ano na ria de Aveiro, no Estuário do Sado e, sobretudo, no Estuário do Tejo, onde apresenta níveis elevados de metais, estando a sua comercialização viva interdita.

Segundo o biólogo Ricardo Calado, um dos autores do estudo, “este nível de contaminação é tão elevado e persistente que fica ‘impresso’ nas conchas destas amêijoas quando crescem nestes locais, funcionando como códigos de barras naturais”. Mesmo quando a documentação é falsificada, indicando que as amêijoas provêm do Estuário do Sado ou da ria de Aveiro, “as assinaturas elementares das conchas expõem essa prática fraudulenta de forma inequívoca”.

O investigador acrescenta que estes códigos naturais não podem ser falsificados. A equipa da UA está já a validar, em articulação com as autoridades nacionais, soluções portáteis que permitam despistar em tempo real amêijoas-japonesas vivas capturadas no Estuário do Tejo, para que possam ser retiradas do mercado, salvaguardando a saúde pública, incluindo a de consumidores estrangeiros, uma vez que parte deste produto é exportado para outros países europeus.

O estudo revelou ainda que é possível identificar a época de colheita das amêijoas em cerca de dois terços dos casos analisados, uma informação particularmente útil para produtos congelados comercializados com concha.

Técnica a caminho do mercado

Os investigadores sublinham que esta abordagem tem grande potencial para reforçar a rastreabilidade dos produtos do mar. No entanto, consideram essencial manter uma base de dados de referência atualizada, com novas amostras recolhidas a cada seis a doze meses, para garantir a fiabilidade dos modelos.

A equipa está também a validar um pacote tecnológico para transferência desta solução para uma grande empresa nacional do retalho alimentar, que pretende confirmar de forma rápida e precisa que a amêijoa-japonesa que comercializa não foi capturada ilegalmente no Estuário do Tejo.

Em paralelo, decorrem colaborações com autoridades nacionais e internacionais, incluindo a Europol, para desenvolver soluções de combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, bem como a outras práticas fraudulentas que ameaçam a saúde pública e os ecossistemas marinhos.

Além de Ricardo Calado, o estudo é assinado por Andreia Santos, Fernando Ricardo, Renato Mamede e Seila Díaz, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, do Departamento de Biologia e do ECOMARE, e por Carla Patinha, do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro.

Uma década de validação e novas aplicações

Ao longo da última década, a equipa da Universidade de Aveiro validou esta abordagem para várias espécies de moluscos bivalves, como o berbigão, a amêijoa-boa e a amêijoa-japonesa, mas também para outras espécies, incluindo polvo, percebes, sardinha e até o casulo, um isco vivo utilizado na pesca desportiva. Foram analisadas partes mineralizadas dos organismos, como conchas e escamas, bem como tecidos moles.

Atualmente, os investigadores estão a iniciar a análise de alimentos processados e de outros produtos alimentares, como carnes, legumes e frutas, na sequência de pedidos de grossistas e de autoridades reguladoras do setor alimentar.

Estão igualmente a validar outras soluções técnicas, incluindo assinaturas bioquímicas e tecnologia de raios X para uma determinação elementar mais rápida, apoiadas por modelos de machine learning que permitem aumentar a precisão e automatizar a identificação da origem dos produtos.

Com a inauguração, em junho de 2026, do CITAQUA-ECOMARE – o polo da Rede Hub Azul de Aveiro liderado pela Universidade de Aveiro, onde funcionará o Laboratório Nacional para a Rastreabilidade dos Produtos da Pesca e da Aquicultura – a universidade prevê entrar numa nova fase no desenvolvimento e transferência destas soluções tecnológicas para autoridades, grossistas, retalhistas, pescadores, mariscadores e aquicultores.

O laboratório contará com um parque de equipamentos científicos considerado único na Europa, resultado de um investimento superior a três milhões de euros.

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