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Valorização de resíduos agroindustriais impulsiona inovação em materiais biodegradáveis

Casca de cebola usada para criar bioplásticos mais resistentes e sustentáveis

13/02/2026

A casca de cebola, habitualmente tratada como resíduo agroalimentar, pode vir a ter uma nova utilidade na produção de embalagens mais amigas do ambiente. Uma investigação da Universidade de Aveiro (UA) demonstra que este subproduto pode ser incorporado diretamente em bioplásticos, sem necessidade de processos complexos de extração, permitindo obter materiais com melhor desempenho e menor impacto ambiental.

Universidade de Aveiro
Universidade de Aveiro.

O estudo, desenvolvido no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, consistiu na integração de casca de cebola moída em matrizes produzidas a partir de amido recuperado de resíduos industriais, nomeadamente lamas do processamento de batata. Segundo a equipa, esta solução originou bioplásticos com “propriedades mecânicas melhoradas”, maior resistência à água, capacidade de barreira a gases e atividade antioxidante, características consideradas essenciais para embalagens funcionais.

A abordagem segue princípios da economia circular, ao valorizar resíduos e substituir matérias-primas fósseis ou alimentares por subprodutos não comestíveis. Desta forma, contribui para reduzir o impacto ambiental e aliviar a pressão sobre recursos primários. O trabalho envolveu investigadores de vários departamentos da UA, com colaboração do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV) da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE).

Embora não existam dados públicos sobre a quantidade de cascas de cebola enviadas para aterro em Portugal, a equipa recorda que a produção mundial de cebola ultrapassa 98 milhões de toneladas por ano. Estima-se que cerca de 5% correspondam a cascas, o que equivale a aproximadamente 550 mil toneladas de resíduos anuais a nível global. Em Portugal, tendo em conta o peso do setor agroalimentar, os investigadores consideram plausível que sejam geradas “várias milhares de toneladas” por ano.

A tecnologia encontra-se já protegida por patente, o que evidencia o seu potencial de aplicação industrial. A solução permite produzir termoplásticos ativos e biodegradáveis com recurso a tecnologias convencionais, como extrusão ou moldação por compressão.

De acordo com os investigadores, os materiais apresentam estabilidade térmica, atividade antioxidante e propriedades de barreira ajustáveis, podendo ser utilizados tanto em embalagens para conservação de alimentos como em dispositivos médicos.

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