Segundo um relatório da Towards FnB, o setor deverá evoluir de 83,02 mil milhões de dólares em 2026 para 122,32 mil milhões de dólares em 2035, o que corresponde a uma taxa de crescimento anual composta de 4,4%.
Os dados revelam um percurso de investimento contínuo. Em 2025, o mercado já atingia um valor estimado de 79,52 mil milhões de dólares, refletindo a modernização progressiva das unidades produtivas e a aposta em tecnologias capazes de assegurar eficiência operacional, fiabilidade dos processos e conformidade regulamentar.
A crescente procura por alimentos processados e soluções de conveniência está a acelerar a renovação tecnológica das fábricas alimentares. A automação deixou de ser um fator diferenciador para passar a integrar o núcleo estratégico da indústria, permitindo ganhos de produtividade, maior uniformidade do produto final e redução de falhas operacionais.
“Os processadores de alimentos e bebidas já não investem em automação apenas por razões de eficiência”, afirma Vidyesh Swar, consultor da Towards FnB. Segundo o especialista, esta transição tornou-se “uma necessidade estratégica para garantir segurança alimentar, continuidade do abastecimento e estabilidade das margens”.
A inteligência artificial assume um papel crescente neste contexto. Os equipamentos mais recentes incorporam sistemas capazes de analisar dados recolhidos em tempo real por sensores instalados em operações críticas, como mistura, aquecimento, arrefecimento, enchimento ou embalagem. Estes sistemas ajustam automaticamente parâmetros como temperatura, pressão ou caudal, com impacto direto no rendimento, na consistência e na segurança microbiológica.
O relatório destaca ainda a expansão dos sistemas de visão artificial para inspeção em linha, que permitem identificar desvios no nível de enchimento, falhas de selagem, corpos estranhos ou erros de rotulagem a velocidades elevadas. Em paralelo, soluções de manutenção preditiva monitorizam vibrações, cargas mecânicas e padrões térmicos, antecipando avarias e reduzindo paragens não planeadas.
“O processamento assistido por IA e a manutenção preditiva estão a redefinir a forma como os fabricantes gerem o risco e respondem à evolução da procura”, sublinha Vidyesh Swar.
A América do Norte é identificada como a região com crescimento mais rápido ao longo do período de previsão, impulsionada pela modernização das infraestruturas industriais, pela adoção de tecnologias associadas à Indústria 4.0 e por requisitos regulamentares exigentes em matéria de segurança e rastreabilidade.
A Alemanha destaca-se como um dos principais motores do mercado europeu, beneficiando de uma forte especialização em engenharia alimentar e de um enquadramento regulamentar exigente. França, Itália, Espanha e os países nórdicos surgem igualmente como mercados relevantes, onde a modernização das unidades produtivas e a aposta na eficiência energética continuam a estimular o investimento.
O segmento de processamento é apontado como o de crescimento mais rápido, refletindo o seu papel central nas operações industriais, que incluem cozedura, fermentação, extrusão, secagem, arrefecimento e congelação. A automação destas etapas permite reduzir erros humanos e assegurar maior consistência do produto final.
Ao nível das aplicações, a panificação e confeitaria concentraram a maior fatia de mercado em 2025, sustentadas pelo consumo regular de produtos considerados básicos. Em contrapartida, as bebidas não alcoólicas surgem como o segmento mais dinâmico, impulsionado pela procura crescente de sumos, águas aromatizadas e bebidas de origem vegetal.
Nos formatos de produto final, os sólidos dominaram o mercado em 2025, embora os produtos líquidos sejam apontados como um dos principais vetores de crescimento nos próximos anos.
Esta tendência reflete uma segmentação clara do mercado, onde a flexibilidade tecnológica e a adaptação à escala de produção assumem um papel determinante.
Estas empresas desempenham um papel central na evolução do mercado, ao disponibilizarem soluções integradas que combinam processamento, automação, digitalização e sustentabilidade. A aposta em sistemas completos, capazes de responder a exigências regulamentares rigorosas e a metas de eficiência energética, tem consolidado a sua posição junto dos grandes produtores alimentares.
Em maio de 2025, várias empresas europeias anunciaram a criação da aliança Food Manufacturing Technologies Europe, uma iniciativa destinada a enfrentar desafios estruturais da indústria, como a eficiência energética, a digitalização e a segurança alimentar.
Ainda assim, a combinação entre automação, digitalização e exigências crescentes em matéria de segurança e sustentabilidade aponta para um crescimento estrutural do mercado de equipamentos de processamento alimentar e de bebidas, com impacto direto na competitividade, na resiliência e na capacidade de resposta da indústria alimentar global.
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