Nove mulheres, nove projetos e um objetivo comum: transformar o setor agroalimentar com soluções inovadoras e sustentáveis. No Agrifood Open Day, organizado pela BGI Sustainable Ventures, que decorreu a 24 de novembro 2025, uma plateia cheia de pessoas acompanhou os pitches finais do programa Empowering Women in Agrifood (EWA), num momento que celebrou talento, resiliência e liderança feminina.
Um dos pontos altos do evento foi a apresentação dos pitches finais dos nove projetos selecionados do programa EWA – Empowering Women in Agrifood, uma iniciativa europeia promovida pelo EIT Food e implementada em Portugal pela BGI Sustainable Ventures. As revistas iAlimentar e AGRITERRA acompanharam de perto um dia que celebrou talento, resiliência e liderança feminina.
Desde cedo ficou claro que não se tratava apenas de um exercício de comunicação. Cada pitch refletiu o culminar de um percurso estruturado de capacitação, desenvolvido ao longo de seis meses, entre junho e novembro. Em palco estiveram projetos em diferentes estágios de maturidade — alguns já no mercado, outros ainda em fase de desenvolvimento — espelhando a diversidade e a vitalidade do empreendedorismo feminino no setor agroalimentar.
À margem das apresentações, Carolina Marques, Regional Project Manager do EIT Food e responsável pelo programa EWA, destacou a dimensão europeia da iniciativa e o impacto crescente que tem vindo a ganhar. “O EWA é um programa dedicado a mulheres empreendedoras do setor agroalimentar que já tenham projetos ou empresas estabelecidas e que queiram escalar os seus negócios à escala europeia. Esta é já a sexta edição e, este ano, estamos a apoiar cerca de 130 mulheres em vários países”, explicou.
Sobre a edição portuguesa, Carolina Marques sublinhou a evolução visível das participantes ao longo do programa. “É especialmente interessante observar a diversidade dos temas e dos níveis de maturidade dos projetos. Algumas empreendedoras já estão a comercializar, outras encontram-se numa fase inicial, mas em todas se nota uma evolução muito significativa desde o início do programa até a este pitch final, tanto a nível pessoal como no desenvolvimento dos próprios projetos”.
Para a responsável, o impacto do EWA vai além do apoio técnico. “As mulheres estão muito presentes na agricultura e na alimentação, mas é fundamental criar espaço para que desenvolvam, a título individual, as ideias que querem ver concretizadas. O programa procura exatamente isso: criar confiança, comunidade e oportunidades reais.”
“A valorização do desperdício alimentar e a descarbonização aparecem com muita força nesta edição e são claramente prioritárias para Portugal”, referiu Carolina Marques, acrescentando que estas tendências estão alinhadas com os desafios atuais do setor e com a visão das empreendedoras que integram o programa.
Os nove projetos selecionados refletem uma abordagem ampla aos desafios da alimentação e da agricultura, abrangendo áreas como biotecnologia, inovação alimentar, sustentabilidade, agricultura regenerativa e digitalização.
A shortlist portuguesa do EWA 2025 (veja a caixa) inclui soluções que vão desde embalagens biodegradáveis e valorização de subprodutos agroalimentares, redução do desperdício alimentar doméstico, fermentação alimentar, bioestimulantes agrícolas, monitorização ambiental de empresas agroalimentares e aditivos funcionais para a alimentação animal.
Para Gonçalo Amorim, co-fundador e CEO da BGI Sustainable Ventures, “estas empreendedoras demonstram que a inovação no setor agroalimentar tem rosto feminino e um futuro muito promissor”. Uma visão partilhada por Carolina Marques, que sublinha “a presença, a resiliência e o potencial impacto destas empreendedoras como fatores-chave para um setor mais sustentável e resiliente”.
No final do programa, foram distinguidas três empreendedoras. O primeiro prémio foi atribuído a Viviana Ribeiro, fundadora da AgriDerma, com uma matriz dérmica sustentável desenvolvida a partir de subprodutos agroalimentares. O segundo prémio distinguiu Ana Cristina Vítor, da RumiPep, com um aditivo funcional para ruminantes que contribui para a redução do uso de antibióticos. Já Ana Martins Vilas-Boas, da BioUpCycle, recebeu o Visibility Award, que lhe permitirá representar Portugal no evento pan-europeu NEXT BITE, em Varsóvia.
Além dos prémios monetários — no valor de 10.000 euros para o primeiro lugar e 5.000 euros para o segundo — o programa oferece mentoria personalizada, formação prática em desenvolvimento de negócio e acesso a uma comunidade europeia de inovação agroalimentar.
Como sublinha Clara Pais, project manager do EWA 2025 em Portugal, “o programa continua a mostrar o enorme talento, a resiliência e a visão das mulheres portuguesas que estão a transformar o futuro da alimentação”. Um futuro que, como ficou claro no Agrifood Open Day, está a ser construído com conhecimento, colaboração e impacto real.
SHORTLIST PORTUGUESA DO EWA 2025
| EMPREENDEDORA | PROJETO | FOCO DO PROJETO |
| Ana Pires | PackWAI | Fornecer uma solução acessível e intuitiva para otimizar o desenvolvimento de embalagens biodegradáveis/compostáveis, promovendo a economia circular e a sustentabilidade no setor alimentar. |
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Ítala Marx |
VIDA NUBI |
Transformar subprodutos da indústria agroalimentar, como o bagaço de azeitona, em ingredientes funcionais de elevado valor, promovendo a saúde, a sustentabilidade e a economia circular. |
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Viviana Ribeiro |
AgriDerma | Desenvolver uma matriz dérmica inovadora a partir de subprodutos da indústria agroalimentar, oferecendo uma alternativa ética e sustentável para testes laboratoriais e aplicações biomédicas. |
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Ana Martins Vilas-Boas |
BioUpCycle |
Transformar resíduos agroalimentares em bioestimulantes e meios de cultura de elevado valor, contribuindo para uma agricultura mais regenerativa e sustentável. |
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Paula Galvanini |
MAI Fermentation House |
Promover a autonomia na produção doméstica de alimentos fermentados saudáveis e sustentáveis. Através de workshops práticos e kits DIY, capacita os consumidores a cuidar da saúde intestinal, reduzindo a dependência de sistemas alimentares industriais. O projeto oferece ainda alimentos fermentados prontos a consumir, provenientes de pequenos produtores locais. |
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Maria Antunes |
Nula |
Fornecer uma plataforma digital que combina uma escola online e um assistente alimentar, apoiando os utilizadores em todas as etapas do seu percurso alimentar — desde as compras até ao reaproveitamento de sobras — promovendo a sustentabilidade a cada refeição. |
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Mariana Fortes |
Pluralgae |
Produzir alimentos e bebidas enriquecidos com spirulina, promovendo a saúde humana e contribuindo para a redução da pegada ambiental. |
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Inês Luís |
Susplus |
Fornecer uma plataforma digital transformadora e simples, concebida com e para as PME. Converte fluxos contínuos de dados da cadeia de valor em estratégias de descarbonização acionáveis e colaborativas. É o elo em falta que liga pequenas empresas e grandes organizações através de dados e projetos, impulsionando a ação climática. |
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Ana Cristina Vítor |
RumiPep | Desenvolve um aditivo alimentar funcional para ruminantes, utilizando péptidos antimicrobianos provenientes de subprodutos industriais, com o objetivo de melhorar a saúde animal e reduzir o uso de antibióticos. |
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