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Eficiência Alimentar 360°: o que está a mudar (mesmo) nas refeições coletivas

Carlos Santos, CEO da WE:DIGITEK

19/01/2026
Há palavras que entram na agenda e depois nunca mais saem: digitalização, sustentabilidade, experiência do utilizador, rastreabilidade. Durante anos, muitas destas ideias circularam como "tendências" úteis, mas difusas. Em 2025, começam a ganhar contornos mais duros: passam a ser critérios de compra, cláusulas contratuais e fatores de risco. No setor das refeições coletivas, esta viragem está a acontecer em três frentes que se reforçam mutuamente: tecnologia (para medir e antecipar), reformulação (para responder a um consumo mais exigente) e higienização padronizada (para garantir confiança e continuidade).
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É precisamente esta leitura integrada, quase uma visão de “gestão total”, que atravessa o WE:FOOD Report 2025, um levantamento que posiciona a eficiência operacional, a transformação digital e a evolução do consumo como eixos centrais do presente e do curto prazo no setor. E é aqui que Portugal tem uma oportunidade: não copiar modelos externos, mas acelerar uma transição que já é inevitável.

Digitalização: a cantina deixa de funcionar “de cabeça”

Em operações de grande escala, a experiência continua a contar, mas deixou de ser suficiente. O que separa uma unidade “bem gerida“ de uma unidade ”resiliente” é a capacidade de transformar rotina em dados e dados em decisão. A digitalização não é um ecrã na parede; é a operação ganhar memória: saber o que vende, quando vende, a que ritmo, com que sobras e com que variações por turno, local e perfil de utilizador.

O ecossistema WE:FOOD, desenvolvido pela WE:DIGITEK, descreve-se como um conjunto de soluções ponta-a-ponta para digitalizar, otimizar e organizar operações, com dashboards e componentes como reservas de refeição, pesquisa de satisfação, wallet e interfaces de venda em vários dispositivos. O detalhe importante, para lá do marketing, é o princípio: quando reservas, consumo, feedback e produção passam a estar ligados, a gestão deixa de reagir “no fim do serviço“ e começa a corrigir ”antes do serviço”.

A pergunta que interessa: quem está a pagar o desperdício?

Há uma conversa recorrente em Portugal: “o desperdício é alto, mas é difícil de controlar”. A frase tem um problema, normaliza a perda como fatalidade. Num modelo digital bem desenhado, desperdício é KPI: mede-se por prato, por linha, por turno; compara-se entre unidades; identifica-se onde o erro é previsão, porcionamento, comunicação ou ementa. E, quando se mede com regularidade, o desperdício deixa de ser um tema moral e passa a ser um tema de gestão.

Para uma revista de indústria, este é o ponto mais pragmático: a tecnologia não é custo “para modernizar”; é ferramenta para recuperar margem que hoje se evapora em produção excessiva, ruturas e decisões de compra baseadas em estimativas.

Reformulação: o canal corporate quer saúde, mas exige consistência

A alimentação em ambiente corporativo mudou de estatuto. Já não é apenas “benefício”, é cultura organizacional e produtividade e, cada vez mais, uma extensão das políticas internas de bem-estar. O consumidor (colaborador, aluno, utente) está mais atento ao que come e, simultaneamente, mais impaciente: quer rapidez, quer opções equilibradas, quer previsibilidade e quer que a experiência seja consistente.

Isto cria um desafio para a indústria alimentar e uma oportunidade para quem souber ler o momento: reformulação não é só reduzir sal, açúcar ou gordura; é redesenhar produtos para o contexto real das refeições coletivas. Formatos que aguentem regeneração sem perder textura, porções coerentes, perfis nutricionais claros, e uma cadência de qualidade que não dependa do “dia bom” da equipa.

B2B2C: a nova montra é o “retalho interno”

O WE:FOOD posiciona-se também com funcionalidades transacionais e de relação com o utilizador, como app corporativa para consultar ementas, fazer reservas e responder a inquéritos de satisfação. Isto ajuda a explicar uma tendência que a indústria portuguesa pode explorar: o B2B2C nas instalações do cliente é micro-retalho, cafetaria interna, snacks e refeições prontas com curadoria.

Na prática, abre-se espaço para:

  • Snacks saudáveis e consistentes (não “pseudo saudáveis”), com rotulagem e argumentos simples.
  • Refeições prontas ou semi-preparadas desenhadas para cantina (tempo, regeneração, custo por dose).
  • Componentes modulares (bases, proteínas porcionadas, acompanhamentos) que reduzam trabalho repetitivo e desperdício de preparação.

A indústria nacional ganha quando deixa de oferecer apenas “catálogo” e passa a oferecer soluções ajustadas ao modo como a comida é realmente produzida e servida em escala.

Higienização e padronização: o invisível que decide confiança

Se a digitalização melhora margem e a reformulação melhora proposta de valor, a higienização garante a sobrevivência do modelo. Em operações com milhares de refeições/dia, a higienização não pode depender de “boas práticas gerais”; tem de existir como sistema: rotinas, evidência de execução, verificação e melhoria contínua.

Em Portugal, as exigências de segurança alimentar e planos de higienização são bem conhecidas, mas o salto competitivo está na capacidade de provar consistência com registos simples, auditáveis e integrados na rotina. E é aqui que os modelos integrados de serviços (facility management) ganham peso: quando limpeza, manutenção e alimentação passam a ser vistos como um ecossistema operacional, a padronização deixa de ser burocracia e passa a ser linguagem comum.

Portugal: onde a oportunidade é maior do que a inércia

O que o WE:FOOD Report 2025 sugere, de forma implícita, é que o setor está a entrar numa fase em que a eficiência será definida por integração: dados + produto + processo. Para Portugal, isto significa duas coisas ao mesmo tempo:

  1. Há margem para acelerar, porque ainda existe fragmentação, decisões reativas e desperdício “aceite”.
  2. Há espaço para diferenciar, porque quem integrar tecnologia com reformulação e higienização padronizada vai oferecer ao mercado algo mais raro do que “preço”: previsibilidade e confiança.

E essa é, no fundo, a tese editorial: eficiência alimentar 360º não é um “projeto de transformação digital”. É uma mudança de governação da operação em que a cozinha ganha memória, o produto ganha propósito e a higiene ganha estatuto estratégico.

A fechar, importa sublinhar que a transição para uma eficiência alimentar 360º não se faz com promessas genéricas nem com “mais uma app”: faz-se com tecnologia aplicada ao terreno, construída com operadores e para operadores, e com capacidade de ligar dados, produto e processos sem aumentar complexidade. É precisamente aqui que a WE:DIGITEK tem procurado acrescentar valor ao setor, desenvolvendo e evoluindo o ecossistema WE:FOOD para apoiar a digitalização de operações de refeições coletiva, da gestão e planeamento ao acompanhamento por indicadores, da relação com o utilizador (ementas, reservas e feedback) à melhoria contínua baseada em evidência. Paralelamente, ao dinamizar iniciativas como o WE:FOOD Report, temos contribuído para dar visibilidade às tendências e às boas práticas que estão a redesenhar o foodservice, ajudando empresas, indústria e operadores a tomar decisões mais informadas e alinhadas com as novas exigências de eficiência, qualidade e confiança.

Carlos Santos, CEO da WE:DIGITEK
Carlos Santos, CEO da WE:DIGITEK.

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