Sócios-fundadores da DIMERA: Ana Pires, Cátia Guarda e João Caseiro.
© Ricardo Graça.
Quantas vezes uma empresa precisa de vários protótipos até chegar à embalagem certa? Quantas decisões continuam a ser tomadas com base na experiência acumulada, em sucessivos ensaios e erros, com custos elevados e prazos longos? A PackWAI nasce precisamente para responder a estas questões, propondo um novo modelo de desenvolvimento, mais rápido, mais preciso e mais sustentável.
O projeto pretende usar IA para otimizar embalagens, os seus componentes e os materiais utilizados na sua produção — independentemente do suporte: plástico, vidro, papel e cartão, metal, madeira ou materiais compósitos. A ambição é clara: reduzir desperdícios, acelerar decisões e ajudar as empresas a “acertar à primeira”.
No centro da PackWAI está uma equipa com forte base científica e experiência prática em investigação e desenvolvimento. Ana Pires, João Caseiro e Cátia Guarda, todos doutorados em áreas complementares — ambiente, mecânica e química — formam o núcleo duro do projeto. Os três são sócios fundadores da DIMERA, uma startup portuguesa dedicada ao desenvolvimento de materiais avançados, inovadores e sustentáveis, recorrendo à inteligência artificial e à nanoengenharia.
Para o setor alimentar, o potencial da PackWAI é particularmente relevante. A procura por embalagens que prolonguem o tempo de vida útil dos alimentos, garantam segurança, reciclabilidade e custos controlados é hoje um desafio permanente. A isso junta-se a crescente exigência por materiais verdadeiramente biodegradáveis ao longo de toda a cadeia de valor, desde a produção agrícola até ao produto final. A PackWAI pretende apoiar estas decisões logo nas fases iniciais de desenvolvimento, reduzindo riscos técnicos e económicos.
Atualmente, o projeto encontra-se em fase de desenvolvimento, com o pré-lançamento previsto para março de 2026 e conclusão apontada para agosto de 2026. Trata-se de um projeto financiado pela Sociedade Ponto Verde e que conta com a participação das empresas Silvex, SIE e Neutroplast, que irão colaborar no desenvolvimento e validação dos pilotos.
A próxima etapa passa precisamente pelo avanço dos projetos-piloto com estas empresas, recolhendo feedback direto dos utilizadores e ajustando a ferramenta às necessidades reais da indústria. A equipa está, aliás, aberta a integrar novas empresas que queiram experimentar a utilização de IA para melhorar as suas embalagens e processos de decisão.
Num setor pressionado por metas ambientais, custos crescentes e consumidores cada vez mais exigentes, a PackWAI surge como uma proposta pragmática: usar tecnologia avançada para tornar o desenvolvimento de embalagens mais inteligente, mais eficiente e mais alinhado com os desafios da sustentabilidade. Mais do que uma ferramenta, o projeto aponta para uma mudança de paradigma na forma como a indústria pensa — e constrói — as embalagens do futuro.
O PackWAI foi um dos projetos selecionados do EWA 2025 – Empowering Women in Agrifood 2025
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