Atlas Copco Rental
Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa
Entrevista a Carla Borges Pita, gestora da Feira LFA

Lisbon Food Affair 2026: o ponto de encontro onde a transformação do setor alimentar ganha escala

Foto
“A LFA será o ponto de encontro indispensável para quem procura inovação, network, conhecimento e oportunidades reais de negócio em toda a cadeia de valor do setor alimentar”.
“Hoje, o maior desafio para as empresas é conseguir equilibrar competitividade, sustentabilidade e inovação num contexto de mudança acelerada”.
"A LFA oferece às empresas uma plataforma única para identificar soluções que aumentem eficiência, promovam inovação e gerem novas oportunidades de negócio”.

De 9 a 11 de fevereiro de 2026, a Lisbon Food Affair (LFA) regressa a Lisboa reforçando a ambição de se afirmar como a principal plataforma profissional da cadeia alimentar em Portugal. Internacionalização, inovação, sustentabilidade e digitalização marcam a nova edição de um evento que acompanha de perto a profunda transformação do setor. Em entrevista à iAlimentar, Carla Borges Pita, gestora da LFA, analisa os grandes desafios da fileira agroalimentar, destaca as tendências que já estão a moldar o mercado e explica como a feira se posiciona como um verdadeiro catalisador de negócios, conhecimento e futuro.

Carla Borges Pita, gestora da Lisbon Food Affair
Carla Borges Pita, gestora da Lisbon Food Affair.

A Lisbon Food Affair regressa em 2026. Quais são as principais novidades desta edição e que mensagem gostariam que o mercado retivesse desde o primeiro momento?

A Lisbon Food Affair regressa de 9 a 11 de fevereiro de 2026 afirmando-se como o evento líder e a plataforma profissional de referência para os setores da alimentação e bebidas, horeca, máquinas, equipamentos e tecnologias. Nesta edição, reforçamos o nosso compromisso com os eixos estratégicos da internacionalização, da inovação, da sustentabilidade e da valorização da produção nacional, pilares transversais aos três salões que compõem a LFA: Food&Beverage, Horeca e Technology.

Acompanhando as tendências e os dados que o mercado vai fornecendo, nomeadamente na importância crescente do setor Horeca, destacamos a expansão do salão Horeca, que continua a ser um dos pilares da LFA e um motor de crescimento para os visitantes profissionais. Em 2025, este canal representou 39% do visitante profissional da LFA, um indicador claro da sua importância estratégica e da procura por soluções, equipamentos, serviços e tecnologias que modernizem a restauração e a hotelaria.

Neste mesmo sentido, destacamos a renovação da parceria estratégica com a DIG-IN, pelo terceiro ano consecutivo, reforçando a aposta na digitalização e na eficiência operacional para este setor. O posicionamento alcançado junto da hotelaria e restauração é igualmente resultado da parceria que mantemos desde a primeira edição com a AHRESP, potenciando a relevância da LFA e o seu papel dinamizador junto dos visitantes profissionais. Estas colaborações reforçam a nossa missão de apoiar um setor central para a economia nacional, promover o conhecimento, a eficiência e soluções inovadoras que respondam às novas exigências da restauração e da hotelaria.

A mensagem que queremos que o mercado retenha é a de que em 2026, a LFA será o ponto de encontro indispensável para quem procura inovação, network, conhecimento e oportunidades reais de negócio em toda a cadeia de valor do setor alimentar.

O setor alimentar atravessa um ciclo exigente, marcado por metas ambientais, evolução do consumo e volatilidade nos custos e na logística. Na sua leitura, qual é hoje o maior desafio que se coloca às empresas da fileira agroalimentar?

Hoje, o maior desafio para as empresas é conseguir equilibrar competitividade, sustentabilidade e inovação num contexto de mudança acelerada. A pressão é transversal a toda a fileira com custos imprevisíveis de matérias-primas e energia, volatilidade logística, metas ambientais ambiciosas e um consumidor cada vez mais atento, informado e exigente.

Além destes fatores, podemos identificar três outras dimensões críticas que estão a marcar a agenda: a transformação digital, que já não é opcional. As empresas precisam de dados, automação e ferramentas de eficiência para responder às margens cada vez mais apertadas. A parceria LFA–DIG-IN reforça precisamente esta urgência, trazendo conhecimento e tecnologia que ajudam o setor a tomar decisões mais informadas;

O ritmo da inovação, que se intensificou. Reformular produtos, responder à procura por opções mais saudáveis, sustentáveis e com menor processamento ou adotar novas tecnologias exige investimento constante. E isso também se reflete no evento, com uma procura crescente no espaço LFA Innovation, onde as empresas dispõem de uma montra de exposição adicional para destacar os novos produtos e soluções inovadoras para o setor.

Por fim, a adaptação aos novos modelos de consumo, que evoluem rapidamente.

A procura por conveniência, experiências diferenciadas, transparência total e sustentabilidade coloca pressão sobre operações, distribuição e comunicação.

Em síntese, o principal desafio não é apenas um, mas sim a necessidade de transformação contínua, num setor que precisa de se modernizar, inovar e internacionalizar ao mesmo tempo.

Olhando para os expositores que já confirmaram presença, que movimentos merecem destaque? Há tendências ou áreas de inovação que se estão a afirmar de forma mais vincada? (por exemplo: proteínas alternativas, packaging sustentável, digitalização, eficiência energética, clean label)

Sim, há movimentos muito claros que revelam a direção para onde o setor está a evoluir. A preocupação em responder às novas necessidades e mesmo legislação que vai sendo atualizada a nível europeu, reflete-se em novas empresas que vão surgindo na área do packaging sustentável e economia circular, na área da digitalização e automação, da eficiência energética e na inovação alimentar, com novos desenvolvimentos de produtos.

O que verificamos de forma mais expressiva é que a inovação deixou de ser um complemento e passou a ser o eixo central da estratégia das marcas presentes na LFA.

Estamos a observar um número crescente de empresas que não vêm apenas apresentar produtos, mas sim soluções de futuro, seja ao nível de tecnologias disruptivas, modelos de eficiência, novas abordagens de nutrição e sustentabilidade, e ferramentas baseadas em dados.

Imagen

Uma das características diferenciadoras da Lisbon Food Affair é a capacidade de reunir indústria, marcas, distribuição e canal HoReCa no mesmo evento. Que tipo de ligações e sinergias querem estimular entre estes diferentes agentes?

Na LFA queremos estimular relações de negócio verdadeiramente transversais, onde cada agente encontra valor imediato. A indústria tem a oportunidade de contactar com distribuidores e compradores internacionais, o retalho tem a oportunidade de conhecer novos produtos e identificar tendências de consumo, e o canal horeca de estabelecer contactos diretos com fabricantes e fornecedores de equipamentos, tecnologias e soluções diferenciadoras.

A LFA cria um ambiente único onde a inovação circula de forma natural e onde surgem parcerias estratégicas que, muitas vezes, não se formariam fora deste contexto, tornando o evento um ponto de encontro essencial para toda a cadeia de valor do setor alimentar.

A sustentabilidade é um tema central, mas também complexo e desigual entre empresas. Como é que a LFA 2026 se propõe traduzir este conceito em práticas concretas? Haverá demonstrações, áreas temáticas, casos reais ou momentos de debate orientado?

A LFA traduz a sustentabilidade no evento, não apenas promovendo a participação de empresas que incorporam esta temática, mas também através de ações que decorrem durante o evento. O programa da LFA inclui painéis especializados, seminários, onde a sustentabilidade é o tema central. No auditório das talks, por exemplo, são apresentados casos reais de empresas que já implementaram soluções inovadoras e sustentáveis, permitindo que os participantes conheçam estratégias aplicáveis ao seu negócio. Ou, a apresentação de novas soluções que permitem aos profissionais contactar em primeira mão com quem as desenvolve.

O objetivo da LFA passa por oferecer aos profissionais do setor ideias concretas e ferramentas aplicáveis, conseguindo incorporar a sustentabilidade de forma prática, estratégica e rentável, enquanto impulsiona inovação e competitividade.

O programa de hosted buyers tem sido referido como uma ferramenta relevante para a internacionalização das empresas. Que mercados estarão em foco nesta edição? E o que explica essa escolha? Estão a surgir novas geografias de oportunidade?

Sim, o programa de hosted buyers da LFA mantém-se como uma ferramenta estratégica para a internacionalização das empresas portuguesas. Nesta edição, estarão em foco principalmente mercados da Europa, América Latina, Palop’s e Médio Oriente, identificados por evidenciarem uma procura crescente por produtos portugueses, forte potencial de expansão e alinhamento com a oferta de inovação alimentar e soluções horeca. Ao mesmo tempo, surgem novas geografias de oportunidade, com interesse crescente por produtos diferenciadores de produção nacional, saudáveis e sustentáveis, abrindo novas frentes de negócio para empresas que procuram expandir internacionalmente.

O programa permite às empresas agendar reuniões B2B qualificadas com compradores internacionais selecionados de acordo com o perfil do seu negócio, maximizando o retorno da presença na feira. Importa reforçar que os buyers presentes são avaliados pela organização, com a colaboração das empresas expositoras, quanto ao seu potencial de negócio. Esta avaliação permite garantir a presença dos compradores mais relevantes, assegurando a renovação do programa em cada edição e criando oportunidades de negócio para os expositores.

Para além das reuniões, a LFA promove a visibilidade das empresas através da LFA Innovation, onde lançamentos de produtos, tecnologias e soluções disruptivas ganham destaque e atraem a atenção de potenciais compradores provenientes de mercados estabelecidos e emergentes de todo o mundo.

Imagen

Se tivesse de escolher uma palavra para caracterizar o momento atual do setor alimentar, qual seria — e porquê?

A palavra que melhor define o momento atual do setor alimentar é “transformação”. Toda a cadeia de valor, desde a produção até à restauração e distribuição, está a atravessar mudanças profundas e aceleradas. Esta transformação é impulsionada por diversos fatores. Em cada segmento, vemos empresas a adaptarem-se, a inovar e a repensar modelos de negócio, mostrando que a capacidade de se transformar deixou de ser uma vantagem competitiva e passou a ser uma condição essencial para manter e crescer no mercado atual.

A pressão sobre as margens é transversal à cadeia de valor. Como é que um evento como a Lisbon Food Affair pode ajudar as empresas a encontrar soluções, seja na eficiência produtiva, na inovação de produto ou na construção de parcerias estratégicas?

A LFA oferece às empresas uma plataforma única para identificar soluções que aumentem eficiência, promovam inovação e gerem novas oportunidades de negócio. Cada empresa participante é também um potencial cliente e a cadeia de valor é transversal. No âmbito da inovação, a LFA proporciona acesso direto a novos produtos, tendências de consumo e soluções disruptivas. Este acesso facilita o desenvolvimento de produtos diferenciadores e estratégias mais competitivas.

Além disso, o evento fomenta parcerias estratégicas ao reunir indústria, distribuição, retalho e canal horeca num mesmo espaço, promovendo network qualificado e encontros B2B que muitas vezes não aconteceriam fora do contexto da feira. A presença de compradores internacionais e o programa de hosted buyers potenciam ainda mais as oportunidades de expansão e colaboração global.

A digitalização e a automação continuam a ganhar terreno, mas muitas PME mantêm dúvidas quanto ao retorno e à implementação. Que exemplos práticos ou tecnologias estarão em exibição que possam ajudar a aproximar este tema da realidade empresarial?

Pela sua crescente implementação em toda a cadeia do setor alimentar, a digitalização e a automação são temas que integram os painéis de debate e presença através das empresas expositoras. Pela referência que temos da edição anterior e que se irá manter e reforçar, estão como exemplo, sistemas de gestão digital e rastreabilidade, ferramentas de planeamento e otimização de produção, equipamentos horeca automatizados, sensores inteligentes e plataformas de análise de dados que permitem monitorizar desempenho e comportamento do consumidor em tempo real.

A LFA não se limita a mostrar tecnologia. Aproxima a digitalização da realidade das PME, apresentando e demonstrando soluções aplicáveis, com impacto concreto na eficiência, rentabilidade e competitividade das empresas.

Do lado do consumidor, várias mudanças estão a ocorrer de forma acelerada: hábitos de compra, expectativas de transparência, critérios de valor e até o papel emocional da alimentação. Quais destas mudanças considera mais determinantes para os próximos anos? E como as empresas estão a responder?

Pela experiência que vamos acumulando através dos parceiros, dos expositores e até mesmo dos profissionais que visitam a LFA, podemos partilhar que as mudanças mais determinantes para os próximos anos estão a ocorrer em três grandes eixos. Primeiro, saúde e nutrição, com os consumidores a procurarem produtos mais naturais, funcionais, menos processados e com maior transparência sobre ingredientes e origem. Segundo, sustentabilidade, que se reflete na preferência por embalagens amigas do ambiente, produtos locais e produção responsável. Por último, experiência e conveniência, com alimentos a assumirem um papel emocional e cultural, aliando qualidade, inovação e facilidade de consumo. As empresas respondem a estas tendências principalmente através da inovação de produto.
Imagen

Para quem participa pela primeira vez na Lisbon Food Affair, quais são os conselhos essenciais de preparação? O que é que faz a diferença entre “estar presente” e criar impacto?

Para quem participa pela primeira vez na Lisbon Food Affair, a preparação é fundamental. O primeiro passo é definir objetivos claros. Seja apresentar produtos, lançar inovações, captar clientes internacionais ou explorar tendências. A partir destes objetivos, torna-se essencial planear reuniões B2B e identificar os contactos prioritários, tirando o máximo partido do programa de buyers e do network que a feira proporciona.

A forma como o espaço e a marca são apresentados faz igualmente a diferença. Investir numa apresentação visual atrativa, materiais de apoio claros e demonstrações de produtos ou soluções, potencia uma experiência memorável junto dos visitantes. Trazer novidades, lançamentos ou soluções inovadoras, sobretudo as que respondem a desafios concretos do setor, aumenta significativamente a visibilidade e a capacidade de gerar leads qualificados.

Outro fator crítico é a equipa presente no stand. Ter profissionais habilitados, com competências comerciais, conhecimento técnico do produto e fluência em línguas estrangeiras, é essencial, especialmente num evento com forte componente internacional. Estes atributos são frequentemente diferenciadores na abordagem aos compradores estrangeiros e na construção de oportunidades de negócio futuras.

Para além disso, recomenda-se a participação ativa em painéis, talks, showcookings, demonstrações ou sessões de conhecimento, que contribuem para reforçar a aprendizagem, ganhar visibilidade e criar conexões estratégicas com o ecossistema profissional.

Por fim, o sucesso não termina com o encerramento da feira: o follow-up estruturado após o evento, transformando contactos em reuniões, propostas e oportunidades concretas, é o que converte “estar presente” em impacto real e resultados tangíveis.

Para terminar, gostaria de pedir uma visão pessoal: como imagina o setor alimentar daqui a cinco anos? E que papel gostaria que a Lisbon Food Affair desempenhasse nesse processo de transformação?

Pessoalmente, daqui a cinco anos, vejo um setor mais tecnológico, sustentável e internacional. Vejo também uma maior internacionalização das empresas portuguesas, com marcas a expandirem-se para novos mercados, apoiadas por estratégias de exportação e networking qualificado. A alimentação assumirá cada vez mais um papel cultural e experiencial, combinando conveniência, saúde e experiência emocional.

Neste contexto, a LFA pretende continuar a ser o motor da transformação do setor: um espaço de referência para inovação, conhecimento, internacionalização e network.

Para mais informações, visite o website da Lisbon Food Affair

https://lisbonfoodaffair.fil.pt/

REVISTAS

Exposalão

NEWSLETTERS

  • Newsletter iAlimentar

    19/01/2026

  • Newsletter iAlimentar

    12/01/2026

Subscrever gratuitamente a Newsletter - Ver exemplo

Password

Marcar todos

Autorizo o envio de newsletters e informações de interempresas.net

Autorizo o envio de comunicações de terceiros via interempresas.net

Li e aceito as condições do Aviso legal e da Política de Proteção de Dados

Responsable: Interempresas Media, S.L.U. Finalidades: Assinatura da(s) nossa(s) newsletter(s). Gerenciamento de contas de usuários. Envio de e-mails relacionados a ele ou relacionados a interesses semelhantes ou associados.Conservação: durante o relacionamento com você, ou enquanto for necessário para realizar os propósitos especificados. Atribuição: Os dados podem ser transferidos para outras empresas do grupo por motivos de gestão interna. Derechos: Acceso, rectificación, oposición, supresión, portabilidad, limitación del tratatamiento y decisiones automatizadas: entre em contato com nosso DPO. Si considera que el tratamiento no se ajusta a la normativa vigente, puede presentar reclamación ante la AEPD. Mais informação: Política de Proteção de Dados

www.ialimentar.pt

iAlimentar - Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa

Estatuto Editorial