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Investigação nacional em segurança alimentar

Macroalgas podem ultrapassar limites de segurança

20/06/2025
Investigadores portugueses alertam para os riscos de ingestão excessiva de arsénio e iodo presentes em macroalgas, com destaque para as castanhas. Halófitas surgem como alternativa promissora, desde que cultivadas em ambientes controlados.
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Um estudo conduzido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Universidade de Aveiro, avaliou os riscos associados ao consumo de macroalgas e halófitas em Portugal, com especial enfoque na presença de metais tóxicos e iodo. O trabalho vem responder ao aumento do consumo destes alimentos funcionais, ainda pouco estudados no contexto nacional, mas cada vez mais valorizados pelo seu teor nutricional e potencial na economia azul.

Os investigadores identificaram o arsénio e o iodo como os principais elementos limitadores para o consumo seguro de macroalgas, sobretudo das variedades castanhas, que são as mais consumidas em Portugal. Em contrapartida, as halófitas — plantas adaptadas a ambientes salinos — revelam-se uma alternativa viável, desde que cultivadas em zonas com qualidade ambiental comprovada.

Elsa Teresa Rodrigues, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, explica que o objetivo central do estudo foi “determinar em que medida a ingestão de cádmio, chumbo, mercúrio, arsénio e iodo presentes em macroalgas e halófitas excede os limites de segurança conhecidos”. A investigadora salienta também o potencial destas espécies na promoção da agricultura marinha sustentável, um setor emergente em Portugal.

A investigação aponta que zonas estuarinas não são apropriadas para agricultura marinha, devido à maior concentração de contaminantes. Já a costa rochosa portuguesa revela-se mais segura para este tipo de produção. Os autores sublinham que a implementação da agricultura marinha deve ser restrita a áreas costeiras monitorizadas e que os produtos resultantes devem garantir elevada qualidade, preço justo e aproveitamento de subprodutos para outras indústrias.

Em linha com as recomendações da Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), os investigadores defendem a urgência de a Comissão Europeia definir limites legais para o teor de arsénio e iodo em macroalgas destinadas ao consumo humano, com monitorização rigorosa a cargo das autoridades nacionais.

O estudo, publicado sob o título 'Risks of exceeding health-based guidance values for toxic metals and metalloids through seaweed and halophyte consumption', conclui ainda com um apelo direto à população: moderar o consumo de macroalgas castanhas, face ao risco potencial para a saúde pública.

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