Artigo de Joana Moreira, consultora, e Regina Paiva, consultora trainee em Gestão e Engenharia Industrial no INEGI
11/02/2022O setor do retalho alimentar está a passar por uma grande transformação, instigada pela mudança de hábitos e estilos de vida dos consumidores, e o advento de novas tecnologias digitais. Canais online, esquemas de entrega ao domicílio, maior procura por produtos frescos e ‘saudáveis’, e a valorização da sustentabilidade, são alguns dos desafios que se impõem.
Face a estas mudanças, mantém-se, porém, a velha máxima: a satisfação do cliente final é chave para o sucesso do negócio, e os retalhistas têm de estar preparados para responder ao que os consumidores querem, quando o querem.
O retalho alimentar representou, em 2019, um volume de vendas que ultrapassou os 13 mil milhões de euros1. Responde muitas vezes a necessidades essenciais, como a alimentação e higiene, mas é muito influenciado por mudanças de padrões da procura do cliente. Isto, aliado à abundância de concorrência e oferta, incentiva os retalhistas a procurar, de uma forma constante, novas formas de criar valor e reinventar-se.
Neste contexto, a logística não é apenas planear, implementar e controlar o fluxo de bens, serviços e informações, mas também se assume como um fator diferenciador para acompanhar a procura dos clientes e se distinguir dos concorrentes.
É também através da logística que podemos reduzir custos, procurando aumentar a competitividade. Assim, quanto mais eficiente forem todos os processos envolvidos, mais competitiva se torna a proposta de valor final, como temos comprovado durante os projetos implementados com sucesso junto de vários clientes.
Vejamos então, os aspetos importantes mais a ter em conta na organização logística deste tipo de indústria.
As boas práticas de logística garantem que os produtos alimentares chegam aos consumidores finais dentro do prazo definido, já que este fator tem enorme peso na perceção do nível de serviço ao cliente, bem como no que respeita à redução da obsolescência.
O novo paradigma das entregas ao domicílio, com tempos de entrega mais curtos, e até no mesmo dia, exige uma rede logística flexível e fiável.
Devido à perecibilidade dos alimentos, a logística assume um papel muito importante, não só pelo cuidado necessário aquando ao seu armazenamento, como também pela necessidade de proteção das condições extremas para evitar a deterioração da qualidade do mesmo.
Desta forma, toda a movimentação de produtos, na armazenagem, carga e transporte deverão ser realizadas com temperaturas e acondicionamento adequados para manter a qualidade e caraterísticas desejadas pelos consumidores.
Não só porque o retalho alimentar lida com alimentos perecíveis, como porque toda e qualquer indústria se preocupa com uma boa previsão que permita fornecer visibilidade ao negócio e uma excelente gestão de stock.
Neste caso em específico, a otimização do stock de produtos perecíveis é extremamente importante uma vez que alimentos fora de prazo de validade ou que não respeitem a qualidade mínima pretendida, não deverão ser comercializados. É necessário estudar e compreender bem as necessidades dos clientes para se otimizar todo o processo.
Sim, também no âmbito da logística surge o tópico da sustentabilidade. Ao pretender atingir um elevado nível de serviço, entregas Just-In-Time (JIT) e, simultaneamente, manter baixas quantidades de stock, pode abrir-se caminho a um ciclo de desperdícios (humanos, matérias-primas e/ou equipamentos), resultado da falta de controlo na implementação de todas estas técnicas. Isto, aliado a uma utilização de recursos desleixada, terá, consequentemente, impactos ambientais.
Como tal, uma importante meta a alcançar é a eficiência ambiental e, depois de conquistada, deverá manter o seu lugar na lista de prioridades.
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Referências
1 Estatísticas do Comércio (16 de dezembro de 2020), INE - Instituto Nacional de Estatística.
www.ialimentar.pt
iAlimentar - Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa