Informação profissional para a indústria alimentar portuguesa

Ciência para um novo modelo alimentar

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O 18.° Congresso AECOC de Segurança Alimentar e Qualidade (em Espanha), que se realizou no início deste ano, contou com a participação do vice-presidente de I+D em Nutrição e Saúde da ADM Biopolis, Daniel Ramón, que analisou o papel que a genómica desempenhará no futuro da alimentação. Entre os principais desafios atuais para o setor alimentar, Ramón assinalou questões como a fome, a sobrepopulação, as alterações nas tendências de consumo, o aumento da esperança de vida da população ou a obesidade. As conclusões são importantes porque afetam o Planeta, de forma transversal, Portugal incluído.

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Os grandes problemas da alimentação

“O principal problema chama-se fome”. Foi este dramatismo que Daniel Ramón revelou no início da sua palestra. Apesar de um crescimento económico mundial sem precedentes, 1100 milhões de pessoas vivem em pobreza extrema e mais de 820 milhões passam fome crónica. “Não existe uma distribuição uniforme dos alimentos e esse facto pode afetar-nos a qualquer momento”. A agricultura moderna mostrou-se eficaz no momento de conter a escassez de alimentos, mas não de forma suficiente, tal como indicam os dados da FAO, desde 2016 com uma tendência negativa. “Deveríamos ter em consciência que produzimos suficiente quantidade de alimentos para satisfazer o consumo de todos os habitantes do planeta”, sublinhou.

O segundo problema é mais evidente para a nossa população e "é a nossa pandemia", a obesidade, que triplicou no mundo desde 1975. Existem mais de 1900 milhões de adultos com excesso de peso e 650 milhões deles são obesos. Assim, em quase todos os países correm mais mortes por obesidade e excesso de peso do que por fome, o que é um problema provocado por dietas inadequadas e hábitos de vida pouco saudáveis, mas também por fatores genéticos. Além disso, é particularmente preocupante a obesidade infantil. Espanha, por exemplo, ocupa a quarta posição em termos de obesidade infantil na Europa e a 62.ª no ranking de países obesos do planeta.

No caso de Portugal, de acordo com o COSI Portugal 2019, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), a prevalência da obesidade infantil aumentou com a idade, com 15,3% das crianças de oito anos obesas, incluindo 5,4% com obesidade severa, um valor que é de 10,8% nas crianças de seis anos (2,7% obesidade severa).

“O problema é a evolução preocupante durante os últimos anos. Num estudo recente, cientistas do Hospital del Mar concluem que, em 2030, 80% dos homens espanhóis e 55% das mulheres terão excesso de peso ou serão obesos, um problema epidemiológico que custará ao sistema de segurança social cerca de 3 biliões de euros”.

Por último, o terceiro grande problema é a inversão da pirâmide populacional. Atualmente, 18,5% da população espanhola tem mais de 64 anos e os octogenários representam 5,8% da mesma. Espanha ocupa o quinto lugar em termos de esperança média de vida, apenas atrás do Japão, Suíça, Singapura e Austrália. “Foi o Japão que, na década de 1980, desenvolveu a estratégia FOSHU e estabeleceu as bases da alimentação funcional”. O setor da alimentação para seniores é muito importante e cada vez há mais interesses em desenvolver produtos específicos que se adaptem a este coletivo.

Alimentação e sustentabilidade

"As alterações climáticas são um desafio sem igual e devemos começar a trabalhar em relação às mesmas de forma urgente". Neste sentido, a pegada hídrica é um dos principais problemas do sistema alimentar, visto que a agricultura consome 87% do total da água utilizada a nível mundial. "A pegada hídrica alimentar é brutal: para se obter 1 kg de carne de vaca são necessários 15 000 l de água; 4000 para 1 kg de frango; 8000 para 1 kg de café; e mais de 1 000 000 para 1 kg de baunilha".
O problema dos resíduos e do desperdício também é fundamental. Dependendo do país, perde-se entre metade e um terço daquilo que é produzido. Nos países pobres, as causas principais ocorrem no início da cadeia, no armazenamento da matéria-prima, no seu transporte e no embalamento incorreto da mesma. Nos países ricos, os problemas surgem no final, nos pontos de venda e no consumo.
Por fim, existe outro grande inconveniente, que são as alterações demográficas. A população do planeta aumenta diariamente: em 1800 éramos 880 milhões e hoje somos mais de 7000. Além disso, atualmente, metade da superfície terrestre está ocupada por cidades ou terrenos agrícolas, pelo que deslocámos os locais de produção dos locais de consumo. A juntar a tudo isto, prevê-se que nos próximos 30 anos se perca uma décima parte do terreno agrícola devido a erosão, salinidade e às alterações climáticas.
“Se a tudo o que foi referido acrescentarmos as novas tendências de consumo (orgânico, vegano, não OGM, livre de alergénios…), quando pensarmos em como inovar na indústria alimentar devemos ter tudo isso em conta e estar conscientes de que podem ocorrer imprevistos, como a COVID-19”, afirmou Daniel Ramón.

E chegou a genómica…

O porta-voz da ADM considera que a genómica dará resposta a muitos destes desafios. “Sabemos que existem muitas patologias que provocam alterações no microbioma digestivo e que, sendo identificadas, podemos evitá-las através da dieta”, avançou, tendo afirmado simultaneamente que a genómica aplicada no setor alimentar implicará avanços na saúde, mas também na sustentabilidade, na qualidade e na segurança alimentar na produção de produtos.
Ramón referiu que a integração da genómica na produção de alimentos “não é ficção científica”, e citou o caso de empresas que, por exemplo, replicam as proteínas do leite de vaca para as aplicar em produtos lácteos veganos, produzem compostos aromáticos com um impacto ambiental mínimo ou, inclusivamente, são capazes de sequenciar o microbioma dos consumidores para lhes sugerir dietas personalizadas.

O porta-voz da ADM considerou que a genómica dará resposta a muitos destes desafios. “Sabemos que existem muitas patologias que provocam alterações no microbioma digestivo e que, sendo identificadas, podemos evitá-las através da dieta”, avançou, tendo afirmado simultaneamente que a genómica aplicada no setor alimentar implicará avanços na saúde, mas também na sustentabilidade, na qualidade e na segurança alimentar na produção de produtos", disse.

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