ENTREVISTA 39 deterioração microbiológica e o seu impacto no prazo de validade dos produtos. Graças a uma melhor compreensão das causas da deterioração, as empresas podem atuar na raiz do problema, reduzindo desperdícios e melhorando a eficiência das suas operações. A verdadeira oportunidade reside em ir além da deteção e compreender porque surgem determinados microrganismos, como evoluem e quais são as consequências para a rentabilidade do negócio. Esse conhecimento permite avançar para operações mais eficientes, sustentáveis e orientadas para a prevenção. Fala também da colaboração como uma tendência- -chave. Porquê? Porque os desafios atuais são demasiado complexos para serem geridos de forma isolada. A segurança alimentar do futuro basear-se-á cada vez mais na combinação de conhecimento especializado, dados e colaboração entre todos os intervenientes da cadeia de valor. Por isso, promovemos iniciativas como a Trusted Third Party (TTP) em conjunto com a Mérieux NutriSciences. O seu objetivo é gerar inteligência coletiva a partir de dados agregados e anonimizados para ajudar a indústria a identificar padrões de risco, reforçar a gestão de fornecedores e tomar decisões mais informadas. Para além da tecnologia, representa uma nova forma de colaboração baseada na confiança e na criação de valor partilhado. Como imagina a gestão do risco alimentar daqui a cinco anos? Vai ser muito diferente. Os líderes já não quererão saber apenas se existe um problema. Quererão compreender qual a probabilidade de esse problema ocorrer, qual poderá ser o seu impacto económico e que ações preventivas oferecem o maior retorno sobre o investimento. Veremos uma integração muito mais estreita entre qualidade, operações, compras e cadeia de abastecimento. O risco deixará de ser gerido de forma isolada para se tornar um indicador estratégico partilhado por toda a organização. Além disso, as empresas mais avançadas utilizarão dados provenientes de múltiplas fontes para identificar tendências, detetar sinais precoces e reforçar a gestão de fornecedores e de riscos emergentes. Na minha opinião, as organizações líderes não serão aquelas que reagirem mais rapidamente a uma crise, mas sim aquelas capazes de evitar que essa crise venha sequer a acontecer. Para concluir, que papel pretende a bioMérieux desempenhar nesta transformação? Queremos ser um parceiro estratégico de longo prazo para os nossos clientes. Com mais de três décadas de experiência em Aplicações Industriais, continuamos a investir em ciência, inovação e tecnologias disruptivas para ajudar a indústria alimentar a adaptar-se a um ambiente em constante transformação. O nosso objetivo é ir além dos resultados analíticos isolados. Graças ao desenvolvimento de soluções baseadas em microbiologia avançada, sequenciação e análise inteligente de dados, estamos a ajudar os fabricantes a otimizar processos, reforçar os seus programas de gestão do risco microbiológico e melhorar continuamente os seus padrões de qualidade. Em última análise, todas estas inovações perseguem um mesmo objetivo: ajudar a indústria alimentar a produzir alimentos mais seguros, operar de forma mais eficiente e construir organizações mais resilientes. Porque a segurança alimentar já não é apenas uma questão de proteção, mas uma alavanca de competitividade e crescimento sustentável. n
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