ENTREVISTA 38 de clientes ou perda de prazo de validade. Embora nem sempre sejam visíveis, estes fatores têm um impacto nos resultados financeiros que, consoante os casos, pode variar entre 100 mil e 1 milhão de euros. Por isso, acreditamos que a segurança alimentar deve ser medida não apenas pelo número de análises realizadas ou pelo cumprimento das auditorias, mas também pela sua capacidade de proteger a rentabilidade do negócio, otimizar recursos e melhorar a eficiência operacional. Porque considera que o modelo tradicional de gestão do risco já não é suficiente? Porque durante décadas trabalhámos com abordagens concebidas para detetar e corrigir desvios depois de estes já terem ocorrido. Esse modelo foi eficaz no passado, mas a indústria atual é muito mais complexa. Hoje, as empresas operam em cadeias de abastecimento globais, gerem múltiplos fornecedores, incorporam novas matérias-primas e desenvolvem produtos alinhados com tendências como os rótulos limpos, a redução de aditivos ou uma maior transparência para com o consumidor. Neste contexto, reagir já não é suficiente. As organizações líderes estão a evoluir para modelos que permitam antecipar riscos antes de estes terem impacto na produção ou no mercado. Compreender por que razão surge um problema, onde tem origem e como evitar que volte a acontecer será uma das grandes vantagens competitivas da próxima década. Existe uma pressão crescente para melhorar a sustentabilidade. Que papel desempenha a qualidade neste domínio? Um papel fundamental. Todos os anos, uma parte significativa dos alimentos produzidos perde-se em consequência da deterioração microbiológica e de problemas relacionados com a qualidade. Estas perdas geram um impacto económico importante, mas também uma pegada ambiental considerável. Quando uma empresa consegue reduzir quebras, prolongar o prazo de validade dos seus produtos ou evitar retiradas do mercado, está simultaneamente a atingir três objetivos: melhorar a sua rentabilidade, reduzir o seu impacto ambiental e reforçar a confiança dos clientes e consumidores. Por isso, sustentabilidade e eficiência operacional já não são conceitos independentes. São duas faces da mesma moeda. A bioMérieux fala em “Augmented Diagnostics”. O que significa exatamente? Significa disponibilizar à indústria soluções que lhe permitam obter rapidamente informação de valor e transformar essa informação em decisões. As empresas alimentares geram enormes quantidades de dados através dos seus programas de controlo ambiental, análises de produto, entre outros. Contudo, com frequência, esses dados permanecem isolados e não são plenamente aproveitados. A nossa visão consiste em ajudar as organizações a transformar essa informação em conhecimento acionável que permita tomar decisões mais rápidas, mais precisas e com maior impacto no negócio. No final, o verdadeiro valor não está em gerar mais dados, mas em utilizá-los para melhorar processos, reduzir riscos e otimizar recursos. Poderia partilhar algum exemplo concreto? Claro. Soluções como o GENE-UP® TYPER ajudam a acelerar a compreensão da origem de determinados eventos microbiológicos envolvendo agentes patogénicos muito relevantes, como a Salmonella ou a Listeria monocytogenes, facilitando investigações mais rápidas e uma capacidade de resposta muito mais eficaz perante incidentes que poderiam traduzir-se em perdas económicas ou interrupções produtivas. Por outro lado, o SMARTBIOME™ permite abordar um dos grandes desafios da indústria: compreender melhor a
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