BF22 - iAlimentar

26 AUTOMATIZAÇÃO E ROBÓTICA NOS MATADOUROS E FÁBRICAS DE PROCESSAMENTO higiene, a segurança e a ergonomia dos trabalhadores, a qualidade e, cada vez com maior intensidade, a disponibilidade de mão de obra”, destaca, preocupado. Para Azzollini, a mudança também afeta a forma de entender a produção. “Antes procurava-se ser produtivo. Mais abates, mais ganho. Hoje, é a qualidade que marca a diferença.” A evolução da regulamentação e das exigências dos consumidores obrigou à introdução de novos processos e tecnologias. Perante esta realidade, a Jarvis respondeu ampliando e adaptando a sua oferta, desde os sistemas relacionados com a insensibilização e a higiene até às soluções destinadas a melhorar as condições de trabalho. Mas é precisamente a questão laboral que está a acelerar uma das grandes mudanças que o setor enfrenta. QUANDO A MÁQUINA SE TORNA UMA AJUDA Durante anos, a chegada de uma nova máquina podia gerar alguma desconfiança entre os trabalhadores. A automatização era associada à possibilidade de substituir postos de trabalho. Hoje, segundo explica Azzollini, a situação começa a ser diferente: “Não há mão de obra nem renovação geracional e os produtores têm de tomar medidas”, resume. O problema já não é apenas quanto custa produzir, mas quem irá realizar determinados trabalhos dentro de cinco ou dez anos. Muitos profissionais com décadas de experiência estão a reformar-se e é cada vez mais difícil encontrar pessoas dispostas a ocupar postos fisicamente exigentes e caracterizados por tarefas repetitivas. Neste contexto, a tecnologia pode desempenhar um papel diferente. “Antes viam uma máquina como um inimigo: ‘vai substituir-me’, pensavam. Hoje, porém, as máquinas são um alívio, uma ajuda”, explica. Assim, a automatização e a robótica tornaram-se uma das principais linhas de evolução da casa-mãe, a Jarvis Products Corporation. A empresa incorporou soluções robotizadas no seu catálogo e continua a desenvolver novas aplicações para automatizar operações nas unidades de produção de carne. O objetivo, explica Azzollini, não é afastar as pessoas do processo, mas aliviar determinadas tarefas. “A nossa aposta não implica eliminar a intervenção humana. O objetivo é proporcionar ao trabalhador uma ferramenta que lhe permita realizar a sua tarefa com menos esforço e durante mais tempo”, detalha. DEZ ANOS A CONSTRUIR UMA EQUIPA Neste ponto, a conversa sobre tecnologia regressa inevitavelmente às pessoas. Porque, se há algo que fica claro quando Sebastian Azzollini faz o balanço da primeira década da Jarvis Espanha, é que o mais valioso não está numa máquina específica, mas nas pessoas que tornam possível o seu funcionamento. A filial funciona com uma equipa reduzida para a área geográfica que cobre, que atualmente inclui também Portugal. Técnicos, administração, contabilidade e logística trabalham de forma coordenada para responder às necessidades dos clientes. Azzollini conhece bem o valor desse grupo porque ele próprio viveu grande parte desta evolução no terreno. Embora ocupe atualmente o cargo de gerente, continua a defender a sua ligação direta aos clientes: “Não gosto de estar no escritório”, reconhece. “Os clientes nunca são abandonados.” Entre as pessoas que acompanharam este percurso está Antoni Fontàs, chefe de oficina e um dos técnicos com maior experiência, que enfrenta agora a última etapa antes da reforma. Depois de tantos anos ligado à Jarvis, Fontàs tem claro o que diferencia a empresa: a máquina é apenas uma parte da proposta. “Não estás a pagar apenas a peça em si, estás a pagar tudo o que está à volta”, explica, referindo- -se ao conhecimento, ao trabalho técnico e ao serviço que acompanham cada equipamento. Sebastian Azzollini, gerente da Jarvis Espanha, recebeu-nos no seu escritório e deixou-nos uma mensagem clara: “A Jarvis Espanha não seria o que é sem a sua equipa”.

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