25 AUTOMATIZAÇÃO E ROBÓTICA NOS MATADOUROS E FÁBRICAS DE PROCESSAMENTO exclusivamente pelo preço, mas por demonstrar o que estava por detrás de cada máquina e o que o cliente recebia em troca. O VALOR DE ESTAR PRESENTE QUANDO É NECESSÁRIO Foi então que uma das características que mais marcou a evolução da Jarvis Espanha começou a ganhar protagonismo: o serviço técnico. A empresa apostou em “trabalhar segundo uma mentalidade americana”, como refere Azzollini, e em construir uma equipa própria capaz de manter uma relação direta com os clientes. Com o tempo, essa decisão tornou-se um dos principais ativos para explicar a evolução da filial. “Queríamos demonstrar que o nosso serviço era outra coisa”, resume o gerente. No seu relato, essa diferença traduz-se em quilómetros, horas de trabalho e mão de obra sem custos para o cliente, chamadas fora do horário e técnicos que se deslocam quando uma avaria ameaça parar uma linha de produção. Recorda, por exemplo, o caso de um cliente português que conheceram na feira do Porto. A serra para o esquartejamento de bovinos tinha avariado e o cliente não encontrava uma solução. Nesse mesmo dia, Azzollini e dois técnicos partiram com uma máquina. Chegaram às instalações, montaram-na e o cliente pôde continuar a trabalhar no dia seguinte. “Já não era por lhe ter vendido a máquina, mas pelo facto de agora entrar no seu matadouro e ser como a minha casa”, recorda. Para ele, está aí uma das chaves da relação que a Jarvis construiu ao longo destes anos. A mesma filosofia está presente noutras histórias. Azzollini fala de deslocações de muitas horas para resolver problemas que, por vezes, podiam parecer menores. O critério, contudo, era outro: se o cliente precisava de ajuda, era necessário tentar estar presente. “Talvez não vendas nada nesse dia, mas o cliente a quem ajudaste e deste apoio lembrar-se-á sempre do que fizemos”, afirma. DO CLIENTE À MÁQUINA: OUVIR PARA ADAPTAR Essa proximidade teve também outra consequência. Ao estar mais próxima dos matadouros e das salas de desmancha espanholas, a Jarvis começou a conhecer melhor as suas necessidades e a transmitir esse conhecimento para o desenvolvimento dos seus equipamentos. Um dos exemplos que Azzollini considera mais importantes é o seu produto de referência, a descascadora de presuntos. O projeto nasceu a partir das necessidades identificadas no mercado espanhol e acabou por se tornar num dos equipamentos que mais contribuíram para consolidar a presença da Jarvis neste segmento, apesar da forte concorrência existente no setor. “O primeiro desenho estava longe de ser perfeito”, explica-nos, “mas a casa- -mãe ouviu as melhorias propostas pelos clientes, analisou os aspetos que deviam ser alterados e trabalhou na melhoria para o desenvolver”. O resultado? “Um produto que foi concebido apenas para Espanha e que, atualmente, está presente em todas as nossas filiais”, destaca o gerente. “A experiência demonstrou que uma solução desenvolvida a partir de uma necessidade local podia acabar por ter aplicação noutros mercados”. O episódio reflete uma forma de trabalhar que tem acompanhado a empresa ao longo destes dez anos: ouvir o cliente, compreender as suas necessidades e procurar a solução que melhor se adapte à sua realidade produtiva. “O cliente apresenta-nos uma necessidade e nós trabalhamos para nos adaptarmos e oferecer-lhe uma resposta”, afirma Azzollini. Tudo isto, sempre dentro das possibilidades técnicas e cumprindo os requisitos de segurança e a regulamentação aplicável. UMA INDÚSTRIA QUE TAMBÉM MUDOU Enquanto a Jarvis Espanha consolidava a sua posição, o próprio setor da carne atravessava uma profunda transformação. “A produtividade continua a ser fundamental, mas agora convivemos com novas exigências relacionadas com o bem-estar animal, a A descascadora de presuntos, ao centro, é a grande estrela da gama de produtos da Jarvis Espanha. Para o futuro, a empresa destaca as suas facas circulares Turbo Trimmer.
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