BF22 - iAlimentar

18 AUTOMATIZAÇÃO E ROBÓTICA NOS MATADOUROS E FÁBRICAS DE PROCESSAMENTO ções com maior desgaste físico estão entre as que apresentam maior potencial para a introdução de robótica. A lista engloba o abate, a pesagem, a identificação e a classificação, o corte primário, a desmancha, o fatiamento, o posicionamento, o embalamento, a rotulagem e a logística. A responsável destaca ainda a robótica colaborativa (cobots), que “permitirá avanços de eficiência sem grandes alterações das linhas produtivas existentes”. VISÃO ARTIFICIAL E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO CONTROLO DA QUALIDADE Em vez de depender exclusivamente da observação humana, determinados controlos, nomeadamente a inspeção e a classificação dos produtos, podem ser realizados com recurso a câmaras, sensores e algoritmos que recolhem e analisam informação de forma sistemática, segundo critérios consistentes. Dora Gaspar lembra a classificação de carcaças como um exemplo de aplicação da visão computacional tridimensional. Estes sistemas analisam o perfil da carcaça e estimam a proporção de carne magra e gordura, procurando tornar a avaliação mais objetiva e precisa. A diretora- -geral do TECMEAT ressalva, contudo, que a heterogeneidade dos produtos representa um desafio para a obtenção de resultados fiáveis. A este propósito, explica que a tecnologia permite “substituir a avaliação visual humana por sistemas de visão computacional 3D que analisam instantaneamente o perfil da carcaça, determinando o rendimento de carne magra e gordura com total isenção e precisão”. Outra área em desenvolvimento é a otimização do corte. Com recurso a câmaras associadas aos equipamentos, os sistemas de inteligência artificial podem analisar a geometria de uma peça e calcular como dividi-la para melhorar o aproveitamento da matéria-prima. O propósito é reduzir a quantidade de carne que fica por recuperar, designadamente junto ao osso, devido à imprecisão dos cortes manuais. A manutenção preditiva constitui outra possibilidade. A análise de dados sobre o funcionamento dos equipamentos pode ajudar a identificar sinais de anomalia e antecipar intervenções, reduzindo o risco de avarias e de paragens inesperadas. O benefício depende, no entanto, da qualidade da informação recolhida e da capacidade de a converter em decisões úteis para a operação. MAIS RENDIMENTO, MENOS DESPERDÍCIO A eficiência produtiva é um dos principais argumentos a favor da automatização, mas os ganhos não se resumem à velocidade de execução. O controlo digital dos stocks, a melhoria do rendimento das carcaças,

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