62 PROTEÍNAS ALTERNATIVAS o Lablab purpureus (feijão-jacinto ou feijão pedra), uma leguminosa resistente a condições climáticas adversas e com características agronómicas particularmente interessantes face aos desafios associados às alterações climáticas. A valorização destas culturas representa uma oportunidade para reforçar a autonomia proteica europeia, diversificar os sistemas agrícolas e promover dietas mais equilibradas e sustentáveis. Entre as várias oportunidades emergentes, destaca-se também o potencial das algas. Embora frequentemente associadas à inovação alimentar, as algas acompanham a alimentação humana há séculos. Existem registos do seu consumo desde o tempo dos Astecas e da sua utilização em situações de escassez alimentar em diferentes regiões do mundo. Importa distinguir dois grandes grupos: as microalgas e as macroalgas. Ambas são organismos fotossintéticos, com uma elevada capacidade de converter dióxido de carbono em oxigénio. As microalgas são microrganismos que integram o fitoplâncton e podem ser cultivadas em sistemas controlados especificamente concebidos para o efeito (fotobiorreatores), requerendo menos recursos terrestres do que muitas culturas convencionais. As macroalgas são as algas que conhecemos da nossa costa. São particularmente valorizadas pela sua capacidade de produzir polissacarídeos e podem igualmente ser cultivadas em condições controladas, permitindo um maior controlo da sua composição e reduzindo os riscos de acumulação de contaminantes e metais pesados. Importa ainda salientar que Portugal desempenha um papel de relevo na produção de algas na Europa, não só pela capacidade instalada, mas também pela implementação de processos biotecnológicos pioneiros que permitem obter produtos de elevado valor acrescentado, reforçando o posicionamento nacional no contexto da bioeconomia azul. Estes organismos, particularmente as microalgas, apresentam elevados teores de proteína. No caso da Spirulina, por exemplo, é possível atingir cerca de 70% em matéria seca. Para além disso, acumulam uma vasta diversidade de compostos bioativos, como ácidos gordos ómega-3, pigmentos, vitaminas e minerais, contribuindo para o desenvolvimento de alimentos mais nutritivos e benefícios adicionais para a saúde. No Instituto Superior de Agronomia, temos vindo a desenvolver diversos projetos focados na valorização de recursos biológicos para aplicações alimentares. A investigação realizada tem explorado o potencial de ingredientes obtidos a partir de algas e outros recursos marinhos, não apenas como fontes de proteína, mas também como elementos capazes de conferir novas propriedades sensoriais, tecnológicas e nutricionais aos alimentos. Paralelamente, têm sido estudadas abordagens inovadoras baseadas em processos de fermentação, reinterpretando conhecimentos ancestrais que hoje ganham nova relevância como ferramentas para desenvolver alimentos mais sustentáveis, diversificados e atrativos para o consumidor.
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