60 PROTEÍNAS ALTERNATIVAS O papel das proteínas alternativas na transformação do sistema alimentar: preparar o futuro Simultaneamente, verifica-se que, nos países mais desenvolvidos, a procura de alimentos ricos em proteína é uma das tendências mais marcantes do mercado alimentar. Muitos consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos com alegações proteicas, sem que a qualidade dessas proteínas, ou mesmo as suas reais necessidades de suplementação, sejam devidamente equacionadas. Trata-se de um mercado que continua em expansão. Neste contexto, o desenvolvimento de novas fontes de proteína tem assumido um papel central no debate científico, industrial e político. Atualmente, existe já um vasto conjunto de conhecimento científico que sustenta a incorporação de novas, ou renovadas, fontes de proteína nas nossas dietas. Existem também diversas empresas com capacidade e recursos para desenvolver soluções alimentares inovadoras e que estão alinhadas com este propósito. Mas considero importante esclarecer um equívoco frequente. Quando se fala em proteínas alternativas, termo que, aliás, não é do meu agrado, não A alimentação mundial enfrenta atualmente um dos maiores desafios da sua história: garantir o acesso a alimentos nutritivos, seguros e sustentáveis para uma população em crescimento, num contexto marcado pelas alterações climáticas, pela pressão sobre os recursos naturais e pela necessidade de reduzir o impacto ambiental dos sistemas alimentares. Não se trata de um tema do futuro. A escassez de água, de terra arável, de biodiversidade e de fontes proteicas constitui já um desafio presente e de elevada relevância. Anabela Raymundo, Prof. Associada com Agregação do Instituto Superior de Agronomia (ISA)
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