BF22 - iAlimentar

20 AUTOMATIZAÇÃO E ROBÓTICA NOS MATADOUROS E FÁBRICAS DE PROCESSAMENTO digitais. A formação e a requalificação profissional tornam-se, por isso, parte do próprio processo de modernização, já que é essencial ter trabalhadores preparados para os utilizar e resolver problemas operacionais. Graça Mariano defende que a transformação tecnológica deve ser acompanhada por formação e requalificação profissional: “A modernização terá de conjugar a introdução de novos equipamentos com a valorização do conhecimento dos profissionais e a adaptação das funções às novas exigências”. O QUE VAI MARCAR OS PRÓXIMOS ANOS A digitalização deve ganhar espaço na indústria da carne, através de ferramentas de apoio à decisão e de sistemas digitais de planeamento e controlo. Os gémeos digitais (digital twins), que permitem simular linhas de produção em ambiente virtual, poderão ajudar a testar alterações e a avaliar os seus efeitos antes de avançar com mudanças nas instalações. Dora Gaspar, diretora-geral do TECMEAT, identifica várias tecnologias com potencial para transformar o setor, entre as quais a inteligência artificial, a rastreabilidade digital, a robótica colaborativa e a Internet das Coisas. A responsável destaca também os desafios associados ao abastecimento alimentar e à gestão dos recursos: “disponibilizar alimento às pessoas é o maior desafio com o qual se depara a indústria da carne”. A evolução tecnológica deverá passar tanto pela adoção de novas ferramentas como pelo aperfeiçoamento das soluções existentes. Dora Gaspar espera que “o setor cárneo seja fortemente influenciado pelas tecnologias emergentes e pela consolidação de soluções já disponíveis”. A redução do impacto ambiental constitui outra prioridade. O TECMEAT destaca o aproveitamento de coproPROJETOS PORTUGUESES MOSTRAM DIFERENTES ETAPAS DA TRANSFORMAÇÃO A modernização da indústria da carne em Portugal já se traduz em projetos de digitalização e automatização. A Avisabor implementou o sistema da BrainR em quatro meses, entre novembro de 2020 e março de 2021. Segundo a fornecedora, a integração dos dados de produção, planeamento e stocks reduziu em 50% o tempo médio de armazenamento. A solução passou a abranger áreas como o abate, a desossa, a embalagem, a expedição e o controlo de qualidade, centralizando a informação e permitindo acompanhar os processos em tempo real. Na Maporal, em Reguengos de Monsaraz, o projeto de ampliação do matadouro incluiu a previsão de robótica na desmancha e de linhas automáticas. A Avipronto está também a desenvolver o projeto Smart Flow&Pack, que prevê uma nova linha de abate com capacidade para 15 mil frangos por hora e uma linha de corte e desmancha totalmente automatizada. O investimento global anunciado ronda os 25 milhões de euros e inclui tecnologias de visão artificial e robotização. De acordo com a ficha do projeto no portal da transparência do PRR, a execução está prevista entre junho de 2026 e maio de 2028. dutos e subprodutos, a diminuição do recurso a materiais de origem fóssil e o prolongamento da conservação dos alimentos. Neste âmbito, a responsável salienta que “o desafio passa por encontrar soluções que protejam os produtos sem aumentar a pegada ambiental”. Para a APIC, a concretização dos benefícios da automatização depende não só dos equipamentos instalados, mas também da integração dos processos, da qualidade dos dados e da avaliação dos resultados. Como sublinha a associação, a mudança exige “trabalho técnico, adaptação organizacional e profissionais capazes de operar num ambiente em que as decisões de produção dependem cada vez mais da informação digital”. n Créditos: Tecmeat. A mudança mais significativa está na ligação entre as diferentes etapas

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