OPINIÃO 67 REFORMULAÇÃO: O CANAL CORPORATE QUER SAÚDE, MAS EXIGE CONSISTÊNCIA A alimentação em ambiente corporativo mudou de estatuto. Já não é apenas “benefício”, é cultura organizacional e produtividade e, cada vez mais, uma extensão das políticas internas de bem-estar. O consumidor (colaborador, aluno, utente) está mais atento ao que come e, simultaneamente, mais impaciente: quer rapidez, quer opções equilibradas, quer previsibilidade e quer que a experiência seja consistente. Isto cria um desafio para a indústria alimentar e uma oportunidade para quem souber ler o momento: reformulação não é só reduzir sal, açúcar ou gordura; é redesenhar produtos para o contexto real das refeições coletivas. Formatos que aguentem regeneração sem perder textura, porções coerentes, perfis nutricionais claros, e uma cadência de qualidade que não dependa do “dia bom” da equipa. B2B2C: A NOVA MONTRA É O “RETALHO INTERNO” O WE:FOOD posiciona-se também com funcionalidades transacionais e de relação com o utilizador, como app corporativa para consultar ementas, fazer reservas e responder a inquéritos de satisfação. Isto ajuda a explicar uma tendência que a indústria portuguesa pode explorar: o B2B2C nas instalações do cliente é micro-retalho, cafetaria interna, snacks e refeições prontas com curadoria. Na prática, abre-se espaço para: • Snacks saudáveis e consistentes (não “pseudo saudáveis”), com rotulagem e argumentos simples. • Refeições prontas ou semi-preparadas desenhadas para cantina (tempo, regeneração, custo por dose). • Componentes modulares (bases, proteínas porcionadas, acompanhamentos) que reduzam trabalho repetitivo e desperdício de preparação. A indústria nacional ganha quando deixa de oferecer apenas “catálogo” e passa a oferecer soluções ajustadas ao modo como a comida é realmente produzida e servida em escala. HIGIENIZAÇÃO E PADRONIZAÇÃO: O INVISÍVEL QUE DECIDE CONFIANÇA Se a digitalização melhora margem e a reformulação melhora proposta de valor, a higienização garante a sobrevivência do modelo. Em operações com milhares de refeições/dia, a higienização não pode depender de “boas práticas gerais”; tem de existir como sistema: rotinas, evidência de execução, verificação e melhoria contínua. Em Portugal, as exigências de segurança alimentar e planos de higienização são bem conhecidas, mas o salto competitivo está na capacidade de provar consistência com registos simples, auditáveis e integrados na rotina. E é aqui que os modelos integrados de serviços (facility management) ganham
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