BF19 - iAlimentar

OPINIÃO 66 Eficiência alimentar 360°: o que está a mudar (mesmo) nas refeições coletivas Há palavras que entram na agenda e depois nunca mais saem: digitalização, sustentabilidade, experiência do utilizador, rastreabilidade. Durante anos, muitas destas ideias circularam como "tendências" úteis, mas difusas. Em 2025, começam a ganhar contornos mais duros: passam a ser critérios de compra, cláusulas contratuais e fatores de risco. No setor das refeições coletivas, esta viragem está a acontecer em três frentes que se reforçam mutuamente: tecnologia (para medir e antecipar), reformulação (para responder a um consumo mais exigente) e higienização padronizada (para garantir confiança e continuidade). Carlos Santos, CEO da WE:DIGITEK É precisamente esta leitura integrada, quase uma visão de “gestão total”, que atravessa o WE:FOOD Report 2025, um levantamento que posiciona a eficiência operacional, a transformação digital e a evolução do consumo como eixos centrais do presente e do curto prazo no setor. E é aqui que Portugal tem uma oportunidade: não copiar modelos externos, mas acelerar uma transição que já é inevitável. DIGITALIZAÇÃO: A CANTINA DEIXA DE FUNCIONAR “DE CABEÇA” Em operações de grande escala, a experiência continua a contar, mas deixou de ser suficiente. O que separa uma unidade “bem gerida“ de uma unidade ”resiliente” é a capacidade de transformar rotina em dados e dados em decisão. A digitalização não é um ecrã na parede; é a operação ganhar memória: saber o que vende, quando vende, a que ritmo, com que sobras e com que variações por turno, local e perfil de utilizador. O ecossistema WE:FOOD, desenvolvido pela WE:DIGITEK, descreve-se como um conjunto de soluções ponta-a-ponta para digitalizar, otimizar e organizar operações, com dashboards e componentes como reservas de refeição, pesquisa de satisfação, wallet e interfaces de venda em vários dispositivos. O detalhe importante, para lá do marketing, é o princípio: quando reservas, consumo, feedback e produção passam a estar ligados, a gestão deixa de reagir “no fim do serviço“ e começa a corrigir ”antes do serviço”. A PERGUNTA QUE INTERESSA: QUEM ESTÁ A PAGAR O DESPERDÍCIO? Há uma conversa recorrente em Portugal: “o desperdício é alto, mas é difícil de controlar”. A frase tem um problema, normaliza a perda como fatalidade. Num modelo digital bem desenhado, desperdício é KPI: mede-se por prato, por linha, por turno; compara-se entre unidades; identifica-se onde o erro é previsão, porcionamento, comunicação ou ementa. E, quando se mede com regularidade, o desperdício deixa de ser um tema moral e passa a ser um tema de gestão. Para uma revista de indústria, este é o ponto mais pragmático: a tecnologia não é custo “para modernizar”; é ferramenta para recuperar margem que hoje se evapora em produção excessiva, ruturas e decisões de compra baseadas em estimativas.

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