29 TECNOLOGIA E EFICIÊNCIA ALIMENTAR A transição energética deixou de ser uma decisão voluntária para se tornar uma obrigação estratégica. A revisão do regulamento F-Gas e o crescente escrutínio sobre as substâncias PFAS transformaram, de forma repentina, a utilização de HFC e HFO numa escolha arriscada. Os custos de reposição aumentam, as quotas diminuem, a disponibilidade futura é incerta e as restrições legislativas acumulam-se. Para a indústria alimentar, um dos setores que mais depende da estabilidade térmica, esta volatilidade não é apenas um risco ambiental; é um risco operacional e económico. A resposta encontra-se nos refrigerantes naturais, cuja performance, estabilidade e sustentabilidade foram amplamente demonstradas nas últimas décadas e que, hoje, representam a única via real de crescimento sólido, responsável e duradouro. É neste contexto que Greenovation ganha relevância. Esta filosofia não se limita a substituir um fluido por outro; implica repensar a engenharia, a eficiência, a arquitetura das instalações e a relação entre fabricantes, engenharias, instaladores e clientes finais. Significa abandonar soluções de transição e adotar tecnologias definitivas, capazes de resistir a pressões regulamentares futuras e de proporcionar rendimento elevado independentemente do clima, do processo ou da intensidade de utilização. Significa, sobretudo, alinhar a técnica com a responsabilidade ambiental e com a visão estratégica das empresas. TRANSIÇÃO ENERGÉTICA NO FRIO ALIMENTAR: UM EXEMPLO PORTUGUÊS Em Portugal, esta visão já está materializada em três projetos recentes que ilustram, com clareza, como a refrigeração alimentar pode evoluir para um modelo mais eficiente, robusto e sustentável. O primeiro deles afirma-se como um marco na transição energética do retalho alimentar nacional: a ampliação da unidade de Sintra, da Bidfood Portugal. Com mais de sete mil metros quadrados de novas áreas de frio, a empresa enfrentou o desafio de encontrar uma solução capaz de garantir eficiência em clima quente, fiabilidade operacional contínua e total compatibilidade com o futuro regulatório. A resposta da Nova Frigo Engineering combinou chillers a R290 de elevada eficiência com centrais subcríticas de CO2 para os serviços de congelados. O propano, com o seu comportamento estável e rendimento superior, assegura excelente
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